Um bebê de apenas 2 anos foi sentenciado à prisão perpétua na Coreia do Norte pelo crime dos pais que foi algo definitivamente inusitado

Relatórios indicam que a posse de itens religiosos pode resultar em punições severas que se estendem a todos os membros da família

Coreia
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

Redatora

Um relatório internacional sobre liberdade religiosa revelou que uma família na Coreia do Norte — incluindo uma criança de apenas dois anos — foi enviada a um campo de prisioneiros com pena de prisão perpétua por terem sido encontrados com uma Bíblia.

O caso, registrado em 2009, foi citado em documentos recentes do Departamento de Estado dos Estados Unidos e tem como base investigações conduzidas por organizações de direitos humanos.

Posse de Bíblia pode levar à prisão ou execução

De acordo com os dados reunidos, a prática religiosa é fortemente reprimida na Coreia do Norte. Indivíduos flagrados com textos religiosos, como a Bíblia, podem ser condenados à morte.

Em muitos casos, as punições se estendem aos familiares, incluindo crianças, que são enviados para campos de prisioneiros sob o princípio de responsabilidade coletiva.

Apesar de existirem instituições religiosas registradas de forma legal no país, especialistas apontam que elas funcionam sob rígido controle estatal.

Segundo o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, o direito à liberdade de pensamento, consciência e religião no país continua sendo amplamente negado.

Sistema de controle religioso é mantido pelo Estado

O relatório de 2022 indica que cerca de 70 mil cristãos estariam detidos no país. Práticas como o xamanismo e outras crenças também são alvo de repressão. Dados divulgados mostram detenções arbitrárias e trabalhos forçados, além de tortura e execuções.

Dados da ONG Korea Future, baseados em entrevistas com 244 vítimas, detalham os métodos utilizados pelas autoridades. 

Entre os relatos, estão acusações de espancamentos, privação de alimentos, violência sexual e execuções públicas. Parte dos entrevistados afirmou não ter tido acesso a julgamento justo.

Destino da família permanece desconhecido

Devido à falta de transparência no sistema prisional da Coreia do Norte, não existem informações sobre a conclusão do julgamento e prisão da família. Organizações internacionais apontam que pessoas enviadas a campos de prisioneiros políticos podem permanecer detidas por tempo indeterminado, muitas vezes sem contato com o exterior ou revisão de pena.

Foto de capa: Shutterstock

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