Um relatório internacional sobre liberdade religiosa revelou que uma família na Coreia do Norte — incluindo uma criança de apenas dois anos — foi enviada a um campo de prisioneiros com pena de prisão perpétua por terem sido encontrados com uma Bíblia.
O caso, registrado em 2009, foi citado em documentos recentes do Departamento de Estado dos Estados Unidos e tem como base investigações conduzidas por organizações de direitos humanos.
Posse de Bíblia pode levar à prisão ou execução
De acordo com os dados reunidos, a prática religiosa é fortemente reprimida na Coreia do Norte. Indivíduos flagrados com textos religiosos, como a Bíblia, podem ser condenados à morte.
Em muitos casos, as punições se estendem aos familiares, incluindo crianças, que são enviados para campos de prisioneiros sob o princípio de responsabilidade coletiva.
Apesar de existirem instituições religiosas registradas de forma legal no país, especialistas apontam que elas funcionam sob rígido controle estatal.
Segundo o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, o direito à liberdade de pensamento, consciência e religião no país continua sendo amplamente negado.
Sistema de controle religioso é mantido pelo Estado
O relatório de 2022 indica que cerca de 70 mil cristãos estariam detidos no país. Práticas como o xamanismo e outras crenças também são alvo de repressão. Dados divulgados mostram detenções arbitrárias e trabalhos forçados, além de tortura e execuções.
Dados da ONG Korea Future, baseados em entrevistas com 244 vítimas, detalham os métodos utilizados pelas autoridades.
Entre os relatos, estão acusações de espancamentos, privação de alimentos, violência sexual e execuções públicas. Parte dos entrevistados afirmou não ter tido acesso a julgamento justo.
Destino da família permanece desconhecido
Devido à falta de transparência no sistema prisional da Coreia do Norte, não existem informações sobre a conclusão do julgamento e prisão da família. Organizações internacionais apontam que pessoas enviadas a campos de prisioneiros políticos podem permanecer detidas por tempo indeterminado, muitas vezes sem contato com o exterior ou revisão de pena.
Foto de capa: Shutterstock
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