SUS ganha 1º hospital inteligente com inteligência artificial e 5G para acelerar atendimento público

Hospital inteligente receberá o investimento de 1,4 bilhões de reais e o início das obras está previsto para o ano que vem

Inteligência artificial na medicina. Créditos: 	Pakorn Supajitsoontorn/GettyImages
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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A inteligência artificial tem revolucionado e proporcionado melhorias em vários setores da sociedade, como na comunicação, engenharia e até na área da saúde. Nesse último caso, a IA pode acelerar o atendimento ao público e deixar o serviço mais eficiente. E essa novidade chegou com tudo no SUS, o Sistema Único de Saúde brasileiro. O primeiro hospital equipado com inteligência artificial e conexão de rede 5G será aberto no complexo do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade de São Paulo (USP), com objetivo de melhorar o fluxo de atendimento. A seguir, confira como essa novidade vai funcionar e a previsão de abertura do 1° hospital inteligente do Brasil.

Entenda como IA vai contribuir para eficiência no atendimento do SUS

Implementar a inteligência artificial nos processos de atendimento do SUS pode salvar vidas. Hoje, a chegada de um paciente no Hospital das Clínicas passa por etapas lentas, com regulação de vagas, ligações, troca de mensagens e uma triagem que depende da observação presencial da equipe. Porém, no hospital inteligente que será inaugurado, esse fluxo será totalmente digitalizado, o que irá acelerar o processo. A triagem tradicional, baseada em ordem de chegada, funcionará com uma avaliação orientada pela gravidade. Isso será possível porque:

  • Ambulâncias equipadas com 5G vão transmitir dados em tempo real, como sinais vitais, exames rápidos, ECG e localização;
  • A IA analisará essas informações antes do paciente chegar ao hospital, cruzando idade, histórico, sintomas e achados clínicos com a disponibilidade de leitos e especialistas;
  • Com isso, o hospital saberá antes do paciente chegar para onde direcioná-lo e quais equipes precisam ser acionadas.

Além de agilizar o atendimento, a idealizadora do projeto, Ludhmila Hajjar, acredita que a automação desse processo tende a reduzir erros, eliminar subjetividades da triagem e, principalmente, ganhar tempo para pacientes críticos, que vão poder ser atendidos enquanto ainda estiverem dentro da ambulância. Em sua rede social, Ludhmila falou sobre a importância do projeto para a medicina:

" O Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente representa um salto decisivo para a medicina de precisão, centrada no paciente e voltada, sobretudo, a pacientes em situações de emergência, que demandam atendimento de alta complexidade."

1° hospital inteligente do Brasil seguirá os critérios de sustentabilidade

Além da inovação tecnológica, o prédio foi concebido para atender padrões modernos de sustentabilidade. Entre os critérios previstos estão o consumo reduzido de energia, práticas de baixo carbono, reaproveitamento de água e sistemas automatizados para evitar desperdícios. Projetado para dobrar a capacidade de urgência, o hospital inteligente também deve “desafogar" o prédio principal do Hospital das Clínicas, possibilitando que outras áreas, como cirurgias eletivas, reabilitação e consultas especializadas, tenham mais espaço de atendimento.

Projeto custará R$1,7 bilhões e segue tendência internacional

O projeto do hospital inteligente foi assinado entre o Ministério da Saúde, o Hospital das Clínicas e o governo do estado de São Paulo na última sexta-feira (14), concluindo a etapa necessária para que o banco financiador avalie o investimento bilionário de R$1,7 bilhões

E não pense que os hospitais inteligentes são uma exclusividade do Brasil: a iniciativa acompanha uma tendência já consolidada em outros países como a China, que possui alguns dos hospitais inteligentes mais avançados do mundo. Em relação aos equipamentos que serão utilizados no hospital, cerca de 70% das tecnologias virão de países do BRICS, enquanto os 30% por cento virão de outros parceiros internacionais. Contudo, Ludhmila Hajjar informou que a ideia não é simplesmente replicar  os modelos estrangeiros, mas adaptar soluções ao contexto de um sistema universal e de grande escala como o SUS.

As obras devem começar em 2026 e a abertura do hospital está prevista para acontecer em 2028 ou 2029. O Hospital das Clínicas vai funcionar como um “teste” desse novo formato, e se os resultados forem positivos, o Ministério da Saúde pretende expandir o modelo para outras regiões do país, além de instalar UTIs de alta precisão em diferentes estados e modernizar unidades de excelência no Rio de Janeiro e Distrito Federal.

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