Esta bactéria ficou congelada por 5.000 anos e se mostra resistente aos antibióticos modernos agora que foi despertada

Entre o avanço da ciência e perigos ancestrais

Representação de uma bactéria
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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


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Preservada por milênios em uma caverna de gelo na Romênia, uma bactéria antiga surpreendeu cientistas ao demonstrar resistência a diversos antibióticos modernos incluindo medicamentos usados no tratamento de infecções graves.

O microrganismo, batizado de Psychrobacter SC65A.3, foi encontrado na Caverna de Gelo de Scărișoara, preso em uma camada de gelo com cerca de 5.000 anos. A descoberta foi publicada na Frontiers in Microbiology (link no primeiro parágrafo) e está levantando novas questões sobre a origem da resistência antimicrobiana.

Resistência anterior à era dos antibióticos

Caverna de gelo Scarisoara na Romênia Caverna de gelo Scarisoara na Romênia | Crédito: Paun VI

Para recuperar a bactéria, os pesquisadores perfuraram um núcleo de gelo de 25 metros de profundidade, abrangendo registros ambientais de até 13 mil anos. Em laboratório, a equipe sequenciou o genoma da cepa e identificou mais de 100 genes associados à resistência a antibióticos.

Nos testes, a bactéria resistiu a 10 de 28 antibióticos avaliados, pertencentes a diferentes classes. Entre eles estavam rifampicina, vancomicina e ciprofloxacina — fármacos amplamente utilizados no tratamento de doenças como tuberculose, colite e infecções urinárias.

O achado é impactante porque o microrganismo existia muito antes da invenção dos antibióticos modernos. Isso sugere que a resistência não é apenas consequência do uso excessivo desses medicamentos, mas também um fenômeno natural que evoluiu ao longo de milhões de anos.

Risco junto de oportunidade científica

Área da caverna conhecida como Grande Salão Área da caverna conhecida como Grande Salão | Crédito: Itcus C.

Apesar da preocupação, a descoberta não representa apenas ameaça. A análise genética revelou quase 600 genes com funções ainda desconhecidas e identificou 11 genes com potencial antimicrobiano capazes de inibir bactérias, fungos e até vírus.

Além disso, a cepa produz enzimas adaptadas ao frio extremo, o que pode inspirar o desenvolvimento de novos medicamentos e aplicações industriais.

Por outro lado, pesquisadores alertam que o derretimento do gelo devido às mudanças climáticas pode liberar microrganismos antigos no ambiente, facilitando a transferência de genes de resistência para bactérias modernas.

A resistência antimicrobiana é um fenômeno antigo e complexo. Estudar micróbios preservados no gelo pode ajudar a ciência a entender melhor essa evolução e talvez encontrar novas armas para combatê-la. Ainda assim, existem riscos e podemos encontrar problemas com os quais ainda não temos tecnologia para lidar.

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