Aquela chave de Windows ou Office vendida por um preço “bom demais para ser verdade” pode ter uma origem bem mais problemática do que você imagina. Um caso recente nos Estados Unidos revelou como funciona parte desse mercado paralelo e terminou com condenação criminal.
O Departamento de Justiça dos EUA anunciou a sentença de Heidi Richards, 52 anos, moradora de Brandon, na Flórida, proprietária da empresa Trinity Software Distribution. Ela foi condenada a 22 meses de prisão federal e multada em US$ 50 mil por conspiração para traficar certificados de autenticidade (COAs) da Microsoft.
Negócio gerou milhões de dólares em lucro
Os COAs são aqueles adesivos “genuínos” que acompanham licenças oficiais de softwares como Windows 10 e Microsoft Office. Eles não devem ser vendidos separadamente do produto original. Pela lei federal americana, esses certificados não têm valor comercial independente quando destacados do software ou do hardware ao qual pertencem.
Entre 2018 e 2023, Richards e seus cúmplices pagaram cerca de US$ 5 milhões para adquirir dezenas de milhares de etiquetas COA legítimas de um fornecedor no Texas. Em vez de revendê-las corretamente com os produtos correspondentes, a empresa extraía manualmente os códigos de ativação, raspando a proteção e transcrevendo as chaves para planilhas.
Esses códigos eram então vendidos em grande escala para clientes ao redor do mundo, incluindo versões do Windows 10 Home e Pro, além de diferentes edições do Office, como 2019 e 2021.
Embora os adesivos fossem tecnicamente autênticos, a comercialização isolada dos códigos violava a legislação. O caso deixa claro um ponto importante: um código que ativa o software não é automaticamente uma licença válida do ponto de vista legal.
Com a crescente digitalização das ativações, hoje muitas vinculadas diretamente a contas Microsoft, o valor desses adesivos físicos diminuiu. Ainda assim, eles continuam alimentando um mercado cinzento lucrativo.
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