O lado sombrio das apostas: empresária brasileira precisou retirar do ar uma aposta sobre uma catástrofe global no Irã

Mercado de apostas sobre eventos políticos aquece com assassinato de Ali Khamenei | Imagem: Burak The Weekender (Pexels)
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Igor Gomes

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Igor Gomes

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Subeditor do Xataka Brasil. Jornalista há 15 anos, já trabalhou em jornais diários, revistas semanais e podcasts. Quando criança, desmontava os brinquedos para tentar entender como eles funcionavam e nunca conseguia montar de volta.

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Imagine acertar todos os números da Mega Sena e não receber o prêmio. É o que aconteceu com os usuários do site de apostas Kalshi. Fundada pela brasileira Luana Lopes Laura e o estadounidense Tarek Mansour, a plataforma é vendida como um “mercado de previsões” e permite que você faça uma aposta sobre qualquer coisa. Mesmo. As opções variam entre resultados de jogos esportivos, o resultado das eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2028, e desastres naturais. Na última segunda-feira (02/03), milhares de pessoas apostaram que o aiatolá Ali Khamenei, morto no último domingo em um ataque dos Estados Unidos contra o Irã, deixaria o comando do país entre março e abril. Quando o resultado positivo saiu, a plataforma bloqueou mais de US$ 54 milhões apostados. 

A vida de líderes internacionais em jogo 

Essa não é a primeira vez que a vida de um político internacional é objeto de apostas em uma plataforma dos Estados Unidos. A plataforma de apostas Polymarket também opera da mesma maneira que a Kalshi e atraiu atenção para possíveis usos de informação privilegiada após um apostador anônimo faturar US$ 400 mil com a invasão da Venezuela e o rapto de Nikolas Maduro pelo exército dos Estados Unidos. O caso chamou tanta atenção que o congressista Richie Torres, de Nova Iorque, apresentou uma proposta de lei proibindo que funcionários do governo entrem em “mercados de previsões”.

A aposta que todo mundo perde

Assim como a Kalshi, a invasão do Irã também movimentou a Polymarket. A pergunta era “Quando as armas nucleares serão detonadas?” tinha opções que variavam entre “31 de março”, “30 de junho” e “até o final do ano”. Mas a reação do público nas redes sociais, que (corretamente) achou isso macabro, fez com que essa aposta saísse do ar. Já haviam sido apostados mais de 650 mil dólares antes do site tirar a página de palpites do ar. A empresa ainda não comentou o caso. 

Ganhou, mas não levou

No caso da aposta sobre a morte de Ali Khamenei, a Kalshi respondeu que a aposta foi removida porque a plataforma não permite “transações diretamente ligadas a mortes”. Outra aposta sobre a morte do aiatolá, dessa vez no Polymarket, também aguarda resolução para que os “vencedores” recebam o prêmio. A pergunta era se ele estaria fora da liderança do Irã antes de 28 de fevereiro. A plataforma ainda está esperando que a data da morte seja confirmada para que os mais de US$115 milhões sejam divididos entre os usuários que acertaram.  

Quem é Luana Lopes Laura?

Nascida em Joinville com pai engenheiro e mãe professora de matemática, Luana  estudou ciência da computação no MIT com bolsa de estudos da Fundação Estudar. Na faculdade, ela conheceu o sócio Tarek Mansour e fundou a Kalshi. Após uma rodada de investimentos de US$ 1 bilhão liderada pela Paradigm, o valor da empresa dobrou e transformou Luana na mais jovem bilionária não-herdeira do mundo.

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