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Queijo parmesão corre risco de extinção devido ao calor extremo

Com temperaturas máximas acima dos 40 graus, as vacas produzem menos leite e o pasto deixa de crescer

Queijo parmesão
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin é jornalista.

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O verão na Europa começou com uma onda de calor que afeta todo o continente — e os especialistas já alertam que outra ainda pior está a caminho. As temperaturas extremas não afetam apenas os seres humanos; os animais também sofrem com elas, o que está causando grandes prejuízos a um setor muito importante na Itália: o da produção de queijo parmesão.

Segundo a agência Reuters, o calor extremo está ameaçando a produção do queijo italiano mais famoso. As temperaturas máximas, que chegam a ultrapassar os 40 graus, fazem com que as vacas comam menos, passem mais tempo deitadas e, consequentemente, produzam menos leite, o principal ingrediente desse queijo. A queda na produção pode chegar a 10%.

Há algumas décadas, os pecuaristas precisavam apenas abrir as janelas dos estábulos durante a noite para ajudar o gado a suportar melhor o calor. Hoje, isso já não é suficiente. As janelas permanecem abertas o tempo todo e alguns produtores instalaram ventiladores com nebulizadores de água para reduzir ainda mais a temperatura.

O problema da instalação desses ventiladores é que as fazendas viram a conta de luz aumentar. A situação também afeta as empresas que armazenam as rodas de parmesão, cujos sistemas de climatização elevaram o consumo de energia em até 30% para manter a temperatura ideal de conservação. Mas os custos vão além da própria refrigeração.

Giancarlo Ravanetti é diretor de uma dessas instalações, conhecidas como "Banco do Parmigiano", onde são armazenadas meio milhão de rodas de parmesão, avaliadas em 300 milhões de euros. Em entrevista à Reuters, ele afirmou: "Para tornar nossas instalações o mais eficientes possível do ponto de vista energético, melhoramos nossos sistemas de refrigeração e caldeiras, modernizamos o isolamento dos edifícios e aumentamos a produção de energia renovável".

Sem pasto, não há parmesão

E os problemas não param por aí. O autêntico Parmigiano Reggiano é produzido em cinco províncias da região da Emília-Romanha. Para receber a denominação de origem, as vacas precisam ser alimentadas com pasto e feno cultivados nessa região. Mas, com o calor e a falta de chuvas, isso tem se tornado praticamente impossível. O presidente do Consórcio Parmigiano Reggiano lamenta: "Se não chove, a grama não cresce, não é possível produzir feno e é impossível obter o leite necessário para fabricar o queijo".

O parmesão não é apenas um ícone da culinária italiana, mas também a base de uma indústria que sustenta boa parte da economia da Emília-Romanha, onde emprega milhares de pessoas. Estima-se que o setor movimente cerca de 4,5 bilhões de euros (R$ 26,5 bilhões) por ano, dos quais metade provém das exportações, tendo os EUA como principal mercado.

Segundo Paolo Ganzerli, diretor de vendas do grupo alimentício GranTerre, a situação é crítica: "Se os fenômenos extremos se tornarem mais prolongados e intensos, sem dúvida terão impacto tanto na quantidade quanto na qualidade do leite. Acima de tudo, provocarão um aumento dos custos". E acrescenta: "O Parmigiano Reggiano existe há mais de 800 anos. Não queremos ser a última geração a comê-lo".

Imagem | Unsplash

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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