Nova pesquisa derruba a ideia de que “toda gordura saturada é ruim” e mostra que queijo curado pode prevenir Alzheimer

O consumo regular de queijo e creme de leite ricos em gordura não só não aumenta o risco de demência, como parece reduzi-lo

Queijo curado / Imagem: Eder Pozo
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Por décadas, as diretrizes nutricionais e as dietas específicas voltadas a garantir a saúde cerebral, como a famosa dieta MIND, tiveram um inimigo comum: as gorduras saturadas de origem láctea. No entanto, a ciência agora deu uma guinada para nos mostrar que estávamos completamente equivocados.

Um novo e abrangente estudo publicado na revista Neurology acabou de virar essa crença de cabeça para baixo. Após acompanhar quase 28 mil pessoas durante um quarto de século, pesquisadores da Universidade de Lund encontraram uma associação surpreendente: o consumo regular de queijo e creme de leite ricos em gordura não só não aumenta o risco de demência, como parece reduzi-lo de forma significativa.

Os pesquisadores realizaram um acompanhamento mediano de 25 anos, até 2020, cruzando os dados alimentares com o Registro Nacional de Pacientes da Suécia. O resultado foi que, durante esse período, foram identificados 3.208 casos de demência. A partir daí, passou-se a observar o que essas pessoas comiam.

Nesse caso, aqueles que consumiam 50 gramas ou mais de queijo rico em gordura por dia apresentaram uma redução do risco de demência entre 13% e 19% em comparação com quem não consumia. Além disso, o consumo de creme de leite rico em gordura foi associado a uma redução de 16% no risco de desenvolver demência em geral.

O mais curioso do achado foi a especificidade, já que não foram encontrados benefícios semelhantes nos laticínios com baixo teor de gordura, nem no leite comum ou na manteiga. Dessa forma, é possível ver que há algo específico na matriz nutricional do queijo e do creme de leite fermentado que atua a favor do nosso cérebro.

Por que esse queijo?

Emily Sonestedt, coautora do estudo, disse estar surpresa com os resultados, embora aponte que eles têm lógica biológica. Enquanto as dietas tradicionais limitam o queijo por seu conteúdo calórico e de gorduras saturadas, esse alimento é rico em ácidos graxos de cadeia média, vitamina K2, cálcio e proteínas de alta qualidade.

Além de tudo isso, o fato de ser um alimento fermentado pode influenciar positivamente a microbiota intestinal — cada vez sabemos mais sobre a conexão direta que existe entre o intestino e o cérebro. Dessa forma, manter uma boa microbiota volta a nos indicar que isso garante uma melhor saúde cerebral.

Antes de sair correndo para o supermercado e comprar todo tipo de queijo que há nas prateleiras, é necessário acionar o freio de mão habitual da ciência, já que estamos falando de um estudo observacional. Isso quer dizer que a ciência aponta que duas coisas acontecem ao mesmo tempo, mas não comprova 100% que uma cause a outra.

Neste caso, o estilo de vida pode fazer grande diferença, como por exemplo o fato de que as pessoas que comem queijo na Suécia tenham outros hábitos que as protejam, como maior atividade física, embora os pesquisadores tenham tentado ajustar as variáveis.

A ideia de que “toda gordura saturada é ruim para o cérebro” está perdendo força diante da evidência de que certos alimentos complexos, como o queijo curado ou o creme de leite, têm propriedades que vão além de seu rótulo nutricional básico. Como costuma acontecer na nutrição, a chave não parece estar em eliminar grupos de alimentos, mas em entender a qualidade e a origem do que comemos.

Imagens | Eder Pozo

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.

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