Primeira "rede social" da história tem 57 mil anos, foi formada por caçadores-coletores e ajudou a evitar a extinção

Não foi o clima que salvou esses caçadores: foi sua rede de contatos

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PH Mota

Redator
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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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A sobrevivência dos caçadores-coletores pré-históricos tem sido historicamente explicada por dois fatores: o clima e os recursos naturais disponíveis. Embora isso seja em grande parte verdade, um novo estudo propõe que as relações sociais entre os grupos humanos daquela época eram tão cruciais quanto o ambiente físico.

Descoberta

A equipe de pesquisa se concentra em pequenos grupos de caçadores-coletores que viveram no sul do Cáucaso entre 57 e 27 mil anos atrás. Aparentemente, esses pequenos grupos percorriam longas distâncias e compartilhavam ferramentas e técnicas com outros grupos.

Inicialmente, acreditava-se que, devido ao seu tamanho e à distância, eles viveriam quase isolados uns dos outros, mas não foi o que aconteceu. A principal evidência reside em objetos de obsidiana, uma rocha vulcânica usada para fabricar ferramentas de corte, encontrados em depósitos localizados entre 40 e 200 km da pedreira de origem.

Por que isso é importante?

Porque nos obriga a repensar os modelos clássicos da evolução humana que atribuíam o sucesso ou o fracasso de uma população quase exclusivamente à sua capacidade de adaptação climática. Agora vemos que a cooperação e a circulação de informações foram fatores essenciais para a sobrevivência, o que tem implicações para a compreensão da resiliência humana às mudanças ambientais.

Contexto

A área de estudo é o Cáucaso do Sul, a ponte natural entre a Europa e a Ásia, onde montanhas, vales e climas muito diferentes convergem em um pequeno espaço, tornando-o um local fundamental para entender como os primeiros humanos se deslocavam. Durante o período em que o estudo se situa, neandertais e humanos modernos coexistiram em outras partes do mundo, e as ferramentas de pedra também sofreram uma transformação de estilo. É por isso que o Cáucaso é um local magnífico para investigar se essas mudanças representaram uma substituição repentina de uma população por outra ou se houve coexistência entre as duas culturas.

Cada pedreira de obsidiana possui uma composição química única, o que permite aos pesquisadores determinar a origem exata de cada ferramenta encontrada. De acordo com a equipe de pesquisa, a distância em que essas ferramentas estão espalhadas é muito grande para que um único grupo tenha viajado em busca de alimento: a explicação mais plausível é que diferentes grupos estavam em contato e trocavam materiais.

Mas há outra pista: as técnicas de trabalho em pedra se repetem em sítios muito distantes, sugerindo que alguns grupos aprenderam uns com os outros, em vez de chegarem à mesma conclusão por acaso. Além disso, ao datar as camadas de solo de diferentes sítios, fica claro que as culturas do Paleolítico Médio e do Paleolítico Superior coexistiram por milhares de anos na mesma área; em outras palavras, uma não substituiu a outra. Três razões convincentes para argumentar que as redes sociais ajudaram esses grupos a sobreviver.

Um porém

Inferir "redes sociais" ou alianças a partir de entalhes em pedra permanece uma interpretação, não uma observação direta: não existem registros escritos, orais ou testemunhais do Paleolítico, portanto, qualquer conclusão sobre relações sociais é construída indiretamente, a partir de padrões materiais. De fato, o fato de a obsidiana viajar entre 40 e 200 km não prova, por si só, a existência de trocas sociais entre grupos: isso também poderia ser explicado por um único grupo com um território muito extenso ou pela reutilização de ferramentas ao longo de gerações.

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