Açúcar presente em frutas vermelhas é detectada no centro da Via Láctea pela primeira vez

Abundância da molécula surpreendeu

Via Láctea
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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.

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Uma descoberta inédita acaba de tornar a busca pela origem da vida um pouco mais doce. Pela primeira vez, cientistas detectaram um açúcar no meio interestelar, a vasta região de gás e poeira entre as estrelas da Via Láctea. A molécula identificada foi a eritrulose, um açúcar naturalmente encontrado em frutas vermelhas, como a framboesa, e também utilizado na indústria cosmética.

O estudo, publicado na revista Nature Astronomy, reforça a hipótese de que alguns dos ingredientes fundamentais para o surgimento da vida podem ter sido produzidos no espaço e transportados para a Terra por meteoritos e cometas há bilhões de anos.

Encontrando açúcar no espaço

A descoberta foi liderada por pesquisadores do Centro de Astrobiologia da Espanha. A equipe identificou a eritrulose em uma nuvem molecular localizada próxima ao centro da Via Láctea, utilizando observações feitas pelos radiotelescópios do Observatório de Yebes e do Instituto de Radioastronomia Milimétrica (IRAM).

Os cientistas detectaram doze sinais espectrais que coincidiam exatamente com aqueles produzidos pela molécula em laboratório, confirmando sua presença no espaço interestelar.

Embora açúcares como glicose e ribose já tenham sido encontrados em meteoritos e amostras de asteroides, nunca havia sido detectado um açúcar diretamente no meio interestelar.

Um componente essencial para a vida

Os açúcares são componentes essenciais da vida. Eles participam dos processos metabólicos e fazem parte da estrutura do DNA e do RNA, moléculas responsáveis por armazenar e transmitir a informação genética. O grande mistério sempre foi entender como esses compostos surgiram antes mesmo da existência dos primeiros organismos vivos.

Experimentos em laboratório têm mostrado que produzir açúcares em condições semelhantes às da Terra primitiva não é uma tarefa simples. Por isso, muitos cientistas defendem que parte dessas moléculas pode ter sido formada no espaço e entregue ao nosso planeta durante o chamado Intenso Bombardeio Tardio, período entre 4,1 e 3,8 bilhões de anos atrás marcado pela queda de inúmeros meteoritos e cometas.

Com base na quantidade de eritrulose encontrada na nuvem molecular, os pesquisadores estimam que entre 500 mil e 50 milhões de toneladas desse açúcar possam ter chegado à Terra durante esse período.

Outro resultado surpreendente foi a abundância da molécula. A eritrulose, formada por quatro átomos de carbono, apareceu em quantidade muito maior do que açúcares mais simples, algo que contraria parte das teorias atuais da astroquímica. Após novas análises, a equipe concluiu que ela provavelmente se forma em gelos interestelares a partir da reação entre álcoois e aldeídos simples.

Agora, os pesquisadores pretendem procurar moléculas ainda mais complexas, como a ribose e a desoxirribose, açúcares que compõem o RNA e o DNA. Caso elas também sejam encontradas no espaço interestelar, a ideia de que alguns dos blocos fundamentais da vida surgiram antes mesmo da formação dos planetas ganhará um importante reforço.

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