Nem paredes, nem superproteção: o detalhe inesperado da escola no Japão que foi eleita a melhor do mundo

Escola em Tóquio aposta em arquitetura sem paredes e no estímulo à autonomia infantil para transformar aprendizado em experiência ativa

crianças brincando na creche Fuji Kindergarten
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Em Tóquio, uma escola infantil virou referência ao apostar em um modelo arquitetônico bem diferente de um ambiente educacional tradicional. A Fuji Kindergarten, projetada pelo escritório Tezuka Architects, foi reconhecida, em 2011, como o melhor jardim de infância do mundo. Mas o que ela tem de tão diferente? O espaço aposta em um conceito radical para crianças: liberdade, movimento e interação constante como base do aprendizado, uma proposta que transformou a escola em referência internacional em educação e arquitetura.

O prédio foi pensado para que as crianças pudessem correr e explorar em segurança

Crianca Correndo O telhado funciona como um parquinho para que as crianças corram livremente

O ponto que mais chama atenção na Fuji Kindergarten definitivamente é o seu formato. Ao invés de salas fechadas, dispostas em corredores lineares, o prédio foi construído em formato oval. O telhado funciona como um parquinho contínuo, onde as crianças podem correr livremente, sem um ponto de chegada definido. 

Esse desenho não é apenas um detalhe estético. Ele foi pensado para estimular o movimento constante, já que a grande maioria das crianças tem energia de sobra. Ou seja, ao invés de conter energia, a escola a incorpora como parte do aprendizado, algo que se reflete na rotina. 

Outro detalhe diferenciado é que as salas de aula não têm paredes. A divisão acontece com móveis leves, que podem ser reorganizados com frequência. Isso cria um ambiente mais aberto, onde sons, interações e até distrações fazem parte do processo educativo, e não são vistos como problema.

Fuji Kindergarten: árvores, redes e um parquinho que invade a sala de aula

A Fuji Kindergarten também foi pensada para incorporar a natureza em seu espaço, funcionando não como um complemento, mas como parte da estrutura. Árvores atravessam salas de aula, redes funcionam como áreas de brincadeira e janelas viram pontos de interação entre crianças de diferentes espaços.

O projeto foi idealizado por Takaharu Tezuka e Yui Tezuka, que buscaram criar um ambiente mais próximo da forma como as crianças naturalmente exploram o mundo. A ideia é permitir que elas testem limites, subam, corram, caiam e aprendam com essas experiências. Até elementos funcionais acabam ganhando novos usos. Escadas, por exemplo, viram escorregadores, móveis viram brinquedos e qualquer estrutura pode ser reinterpretada pelas crianças. 

Modelo arquitetônico oferece menos controle e mais autonomia às crianças

crianças brincando A escola permite que as crianças testem seus limites e aprendam com isso

Um dos pontos mais criticados do projeto envolve a proteção das crianças. Por um lado, há quem defenda que a liberdade em excesso pode ser perigosa para os pequenos, enquanto outros reforçam que pequenas quedas, erros e tentativas fazem parte do desenvolvimento.

Isso não significa falta de segurança, mas uma abordagem diferente. O espaço é pensado para reduzir riscos graves, mas não elimina completamente os perigos. A autonomia das crianças é incentivada o tempo todo, inclusive na forma como elas interagem com o ambiente.

Devido a essas características, a Fuji Kindergarten se tornou um exemplo de como o espaço físico pode influenciar diretamente a forma de aprender. Ao trocar controle por liberdade e rigidez por flexibilidade, a escola japonesa propõe uma reflexão: até que ponto o modelo tradicional de sala de aula ainda faz sentido para as novas gerações?


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