A nova medida desesperada do Japão para aumentar a natalidade: creches gratuitas em Tóquio

Governadora da capital, Yuriko Koike, alerta que “não há tempo a perder”

Japão
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A crise de natalidade no Japão atinge todos os setores. E tamanha é a urgência para incentivar o nascimento de novos bebês que diversas medidas têm sido adotadas no país para que os jovens consigam conciliar a relação entre a vida profissional e a vida familiar. Um exemplo é a nova ideia extrema: creches gratuitas em Tóquio.

Desde 2023, o governo de Tóquio implementou a iniciativa de oferecer mensalidades gratuitas nas creches a casais que tenham dois ou mais filhos. Esse benefício se aplica apenas ao segundo filho e aos seguintes, com idade entre zero e dois anos.

Agora, diante de um cenário em que as pessoas relutam até mesmo em ter um único filho, o que se busca é reduzir os custos da criação de crianças ao ampliar a oferta de creches gratuitas para os pequenos e sair da crise de natalidade. Em outras palavras: pretende-se estender essa política aos primogênitos.

De acordo com a Fortune, a proposta foi apresentada pela governadora da capital, Yuriko Koike. Suas declarações se somam a diversos esforços para promover a paternidade, como a redução da semana de trabalho para quatro dias a fim de facilitar a criação dos filhos. Segundo ela: “Não há tempo a perder”.

“Revisaremos os estilos de trabalho com flexibilidade, garantindo que ninguém tenha que abandonar sua carreira por causa de eventos da vida como o parto ou o cuidado de uma criança. Agora é o momento de Tóquio tomar a iniciativa de proteger e melhorar as vidas, os meios de subsistência e a economia do nosso povo durante estes tempos difíceis para a nação.”

Embora, em outros países, também tenham sido adotadas jornadas de trabalho reduzidas, isso geralmente é feito para incentivar a produtividade dos funcionários. O caso de Tóquio é diferente. O plano atual é reduzir a carga financeira das famílias, além de flexibilizar as horas de trabalho para que os empregados possam dedicar mais tempo aos seus filhos.

Desde abril de 2025, algumas empresas em Tóquio começaram a implementar a semana de trabalho de quatro dias, juntamente com a “licença parcial para cuidado de crianças”. O objetivo é que os trabalhadores consigam conciliar o cuidado dos filhos com o trabalho. Ao mesmo tempo, as creches gratuitas começaram a ser oferecidas a partir de setembro.

O objetivo é permitir que tanto homens quanto mulheres possam dedicar o tempo necessário para cuidar de seus bebês. Em especial no caso das mulheres, já que na cultura japonesa existe uma dissonância muito evidente. Por um lado, os japoneses costumam se dedicar completamente ao trabalho; por outro, muitas mulheres acabam tendo de escolher entre uma carreira profissional ou uma família.

Também é preciso considerar que o número de nascimentos no Japão está em queda. Em 2023, nasceram 727.000 bebês, o que marcou um novo recuo na natalidade. Esse desequilíbrio entre a vida profissional e a pessoal afeta em maior medida as mulheres, já que elas destinam cerca de 14% do dia a tarefas domésticas não remuneradas, segundo dados do Banco Mundial.

A iniciativa se soma a um conjunto de necessidades que a sociedade japonesa precisa enfrentar para deixar de carregar o título de “a população mais envelhecida do mundo”. Fica a dúvida: isso realmente incentivará o nascimento de mais crianças?

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka México.


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