Há tantos jovens britânicos que não estudam nem trabalham que governo planeja pesquisa para entender o porquê

  • Reino Unido quer entender o que está por trás desse milhão de jovens que não estudam, não trabalham e não parecem ter nenhuma intenção de fazê-lo

  • Um dos problemas apontados até agora: saúde mental

Imagem | MingJun He no Unsplash
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PH Mota

Redator
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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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O governo britânico anunciou que realizará uma investigação independente sobre o crescente número de jovens que não estudam nem trabalham (identificados, em inglês, pela sigla NEET). O Secretário do Trabalho e Pensões, Pat McFadden, informou que quase um milhão de jovens entre 16 e 24 anos não estudam nem trabalham atualmente, o maior número em mais de uma década.

A investigação será liderada pelo ex-Secretário de Saúde do Partido Trabalhista, Alan Milburn, e suas conclusões devem ser publicadas no verão de 2026. Até o momento, já se sabe que um quarto dos jovens que não estudam nem trabalham citam doenças ou deficiências de longo prazo como obstáculo.

Conforme relatado pelo The Independent, 80% dos pedidos de Crédito Universal de Saúde estão relacionados a problemas de saúde mental ou transtornos do neurodesenvolvimento. O Crédito Universal é um benefício da seguridade social do Reino Unido que, entre outras coisas, oferece apoio a pessoas com capacidade limitada para realizar atividades laborais devido a doenças ou deficiências.

McFadden, Ministro do Trabalho, considera que, nessas circunstâncias de problemas de saúde mental, o trabalho pode ser "o melhor antídoto" e não quis responder a uma pergunta muito delicada que lhe foi feita: se acredita que o sobrediagnóstico pode estar alimentando uma crise de saúde mental entre os jovens.

De acordo com o Ministério do Trabalho e Pensões, o número de jovens que solicitam o subsídio de apoio à saúde e ao emprego do Crédito Universal (UC) aumentou mais de 50% nos últimos cinco anos.

Crise global de saúde mental

Ao mesmo tempo, temos muitos estudos recentes sobre a crise de saúde mental que a geração Z está sofrendo em todo o mundo, inclusive no Brasil. Em muitas ocasiões, devido à desesperança em relação a um mercado de trabalho onde trabalhar já não se traduz em uma vida confortável, nem mesmo em independência financeira em muitas cidades.

Há também um ambiente geopolítico que não ajuda. Outros estudos apontam para o estresse de iniciar a vida adulta em um contexto global triste, marcado por guerras, genocídios, desastres naturais e pela negação das mudanças climáticas pelas elites, bem como a frustração com a dificuldade de encontrar empregos com salários dignos e o aumento dos preços dos imóveis

O governo britânico afirma que a pesquisa de Alan Milburn irá aprofundar as razões para esse aumento e examinar maneiras de reduzir os custos a longo prazo da inatividade juvenil e facilitar o emprego de jovens que não recebem benefícios, como explica a BBC. A ideia principal é investigar formas de integrar os jovens ao sistema de trabalho.

Por sua vez, o primeiro-ministro Keir Starmer descreveu o atual sistema de benefícios sociais como insustentável e injusto, e um ministro chegou a sugerir que jovens que se recusam a trabalhar percam seus benefícios.

Críticas ao sistema educacional

Peter Urwin, diretor do Centro de Pesquisa de Emprego da Universidade de Westminster, publicou que a maioria desses jovens tem necessidades educacionais especiais complexas e deficiências, ou faltas escolares severas. Muitos jovens chegam aos 16 anos com pouca formação acadêmica, desiludidos com a educação, afirmou.

"O sistema de formação profissional inglês enfrenta um enorme desafio para ajudá-los a alcançar resultados que melhorem suas perspectivas de emprego. Além disso, isso os deixa despreparados para um mercado de trabalho com cada vez menos oportunidades para jovens com baixa qualificação", explicou o especialista.

Um problema global

Observamos que a Geração Z compartilha preocupações globais pelo simples fato de estar conectada às redes sociais, onde problemas locais acabam alcançando qualquer lugar do mundo, sendo o TikTok o epicentro desse fenômeno. Bem, os milhões de jovens que não estudam, não trabalham e não estão em formação (NEETs) também representam um problema global que compartilha características semelhantes.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) compreende o que está acontecendo. Isso não significa apenas um desperdício de potencial econômico, mas também um provável impacto duradouro sobre os jovens afetados, dificultando sua transição para o mercado de trabalho nos próximos anos, segundo a OIT.

A mesma organização internacional alertou para os problemas futuros que isso trará para todos, com jovens enfrentando empregos precários e incerteza quanto ao futuro.

Imagem | MingJun He no Unsplash

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