Durante décadas, pessoas na Coreia do Sul puderam ter mais de uma idade ao mesmo tempo, dependendo do sistema utilizado para fazer esse cálculo. Isso acontecia porque o país utilizava diferentes métodos para contar a idade de alguém — incluindo um sistema tradicional bastante diferente do padrão usado na maior parte do mundo.
No método conhecido como “idade coreana”, o bebê já nasce considerado com um ano de idade. Além disso, todas as pessoas ficam um ano mais velhas no dia 1º de janeiro, independentemente da data de nascimento.
Essa lógica podia fazer com que uma criança nascida no final de dezembro completasse “dois anos” apenas algumas semanas após o nascimento.
Coreia do Sul possuía três formas diferentes de calcular a idade
No sistema tradicional, o período de gestação é considerado o primeiro ano de vida. Assim, quando o bebê nasce, ele já é contabilizado como tendo um ano. A partir daí, todas as pessoas ficam um ano mais velhas coletivamente no primeiro dia do novo ano.
Por muitos anos, a Coreia do Sul conviveu com três sistemas diferentes de contagem de idade:
- Idade internacional: padrão utilizado na maior parte do mundo, em que a pessoa nasce com 0 ano e envelhece no aniversário;
- Idade oficial coreana: sistema administrativo em que a pessoa nasce com 0 ano, mas fica um ano mais velha a cada 1º de janeiro;
- Idade coreana tradicional: método cultural em que o bebê nasce com 1 ano e todos envelhecem juntos no ano novo.
Por causa disso, era possível que a mesma pessoa tivesse idades diferentes dependendo do contexto. Para entender melhor, alguém nascido em 30 de dezembro de 1995, por exemplo, poderia ter:
- 26 anos pela idade internacional;
- 27 anos pela idade oficial usada em alguns registros;
- 28 anos pela idade coreana tradicional;
Situações como essa eram comuns e frequentemente geravam dúvidas sobre qual idade deveria ser considerada em processos administrativos ou serviços públicos.
Tradição de contagem de idade é ligada à vida
O sistema tradicional de idade usado na Coreia do Sul tem origem em costumes antigos do Leste Asiático. A lógica por trás do método está ligada à ideia de que a vida começa no momento da concepção, não no nascimento.
Como a gestação dura cerca de nove meses, esse período era considerado o primeiro ano de vida do bebê. Por isso, ao nascer, a criança já era contabilizada como tendo um ano de idade.
Outro elemento cultural importante é que, historicamente, muitas sociedades asiáticas davam mais importância ao ano do calendário do que à data exata de nascimento. Assim, em vez de cada pessoa envelhecer no próprio aniversário, todos ficavam um ano mais velhos juntos no primeiro dia do novo ano.
A mudança que fez milhões “rejuvenescerem”
Em 2023, o governo da Coreia do Sul decidiu padronizar o cálculo da idade e passou a adotar apenas o sistema internacional em documentos oficiais e serviços administrativos.
Com a mudança, muitas pessoas no país passaram a ser consideradas um ou até dois anos mais jovens nos registros legais.
A decisão foi tomada para reduzir confusões frequentes em áreas como serviços públicos, contratos e políticas de saúde — algo que ficou evidente durante a pandemia de COVID-19, quando diferentes métodos de cálculo foram usados para definir faixas etárias de vacinação.
Foto de capa: Tú Nguyễn/Pixabay
Ver 0 Comentários