O cenário de pequenos vilarejos na Itália tem motivado uma mudança estratégica nas políticas públicas. Diversas localidades passaram a implementar programas que chegam a 30 mil euros (aproximadamente R$ 175 mil) para atrair novos residentes, incluindo brasileiros, como forma de conter o esvaziamento demográfico e reativar economias locais.
O declínio populacional dessas regiões é impulsionado pelo envelhecimento dos moradores e pela migração de jovens para centros urbanos, colocando pequenos municípios em risco real de abandono. Para reverter o quadro, governos locais instituíram medidas que incluem desde repasses diretos em dinheiro até subsídios para moradia e incentivos ao empreendedorismo.
Calábria aposta em novos negócios para repovoar vilarejos
Na Calábria, no extremo sul da Itália, o objetivo central é a reconstrução da economia regional, impactada pelo êxodo das últimas décadas. Em cidades com menos de 3 mil habitantes, o fechamento de comércios e a saída da população jovem criaram comunidades que, embora existam fisicamente, perderam parte de sua atividade econômica.
Para solucionar o problema, o governo regional implementou o programa “Reddito di Residenza Attiva”, que oferece até 20 mil euros (cerca de R$ 117 mil) para quem fixar residência nessas comunidades. O incentivo está atrelado à criação de pequenos negócios, buscando reconstruir a economia local.
A iniciativa também contempla profissionais que exercem atividades remotas, que podem receber um subsídio adicional de até mil euros para custos de instalação.
Emilia-Romagna tenta segurar jovens com incentivos financeiros
Na região da Emilia-Romagna, ao norte, pequenas cidades passaram a concentrar uma população majoritariamente idosa enquanto os jovens migram para polos urbanos. Para conter esse movimento, o governo regional oferece até 30 mil euros para pessoas com menos de 40 anos que decidam se estabelecer nesses municípios.
O incentivo é voltado principalmente para a habitação, buscando resolver o custo inicial de fixação na nova localidade. A estratégia tenta reequilibrar a pirâmide etária local. Sem a presença de jovens, essas cidades perdem dinamismo econômico e sustentabilidade a longo prazo.
Abruzzo e o incentivo à permanência de longo prazo
Em Abruzzo, na região central italiana, o modelo adotado prioriza a permanência dos novos moradores. Para evitar que os novos moradores deixem a cidade após poucos anos, o programa oferece cerca de 2,5 mil euros anuais, condicionados a um período mínimo de residência de cinco anos.
O governo busca criar um vínculo duradouro entre o morador e a comunidade local, combatendo o problema da rotatividade. Sem mecanismos que garantam a permanência, autoridades avaliam que haveria o risco de transformar as cidades em destinos temporários, o que não geraria um impacto real na recuperação econômica da região.
Vêneto aposta na ocupação de imóveis vazios
No Vêneto, a questão central está no grande número de imóveis vazios ou em estado de degradação. Em cidades como Recoaro Terme, o cenário urbano passou a refletir diretamente o declínio populacional.
O programa local oferece até 20 mil euros para a compra ou reforma de propriedades, além de um auxílio mensal para o aluguel durante os primeiros meses de residência.
A proposta é reduzir o custo inicial de entrada e, ao mesmo tempo, estimular a recuperação do espaço urbano, tornando essas cidades mais atrativas para novos moradores.
Casas de 1 euro também fazem parte da mesma estratégia
Outro exemplo que ganhou repercussão internacional são os programas de imóveis simbólicos por 1 euro.
Cidades como Sambuca di Sicilia e Ollolai colocaram casas abandonadas à venda por valores mínimos como forma de atrair compradores estrangeiros.
Apesar do preço simbólico, essas iniciativas exigem compromissos, como a reforma do imóvel dentro de um prazo determinado.
Foto de capa: Shutterstock
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