Um novo estudo feito por pesquisadores da Universidade da California com base nos dados do Telescópio James Webb apresenta a reconstrução mais detalhada já feita da chamada “teia cósmica” (a distribuição em grande escala das galáxias no universo). Neste mapa cósmico superdetalhado estão incluídos 13,7 bilhões de anos de Universo. Nenhum outro telescópio havia sido capaz de chegar tão longe com tanta precisão.
Os cientistas ficaram encarregados de analisar um catálogo conhecido como COSMOS-Web, no qual está incluída a compilação mais extensa de dados obtidos pelo James Webb até o momento. Em uma área do céu equivalente a três luas cheias, eles viram o que até agora era invisível.
Os superpoderes do James Webb
Sabemos que o Universo está se expandindo, de modo que as galáxias vão se afastando, como pontos pintados em um balão que infla cada vez mais. Como a luz é uma onda, a onda emitida por essas galáxias também se estica. Isso resulta em comprimentos de onda maiores que, no espectro eletromagnético, correspondem ao infravermelho. Isso é conhecido como desvio para o vermelho.
Quanto mais antiga e distante é uma galáxia, mais desse alongamento ela terá experimentado, portanto maior será o desvio para o vermelho. Por isso, para detectar galáxias muito antigas, é necessário usar instrumentos capazes de detectar muito bem essas radiações infravermelhas. É aí que entra o James Webb, pois ele conta com um instrumento chamado NIRCam, cuja especialidade é justamente essa. Além disso, graças ao tamanho de seus espelhos, com uma área sete vezes maior do que a dos espelhos do telescópio Hubble, é possível captar muito mais luz e obter imagens mais precisas.
O James Webb também tem a capacidade de enxergar através das nuvens de gás e poeira que normalmente cercam as estrelas e planetas mais jovens. É algo que o Hubble também não consegue fazer — por isso muitas estruturas que eram invisíveis para seu antecessor acabaram sendo reveladas.
O que o Hubble não viu
Diferentemente do James Webb, o Hubble é especializado em detectar principalmente o espectro visível e ultravioleta da luz. Por isso, as estruturas mais antigas do Universo passam despercebidas para ele. Ao comparar o mapa cósmico do James Webb com o mais preciso realizado pelo Hubble, é possível ver que o que antes parecia uma única estrutura, na verdade, são muitas.
Certas estruturas, que antes pareciam muito difusas, também ficaram mais nítidas. Em resumo, a resolução aumentou. As distâncias são medidas com mais precisão e as estruturas são distinguidas com mais clareza umas das outras.
O catálogo que acaba de ser criado contém 164.000 galáxias e um vídeo que mostra o movimento que elas experimentaram ao longo de 13,7 bilhões de anos. É a viagem mais distante já realizada no Universo com um desses mapas. E o melhor é que toda essa informação é de acesso aberto. Por isso, qualquer pessoa pode acessá-la. Os cientistas que desejarem poderão estudá-la e buscar por dados que possam ter passado despercebidos aos pesquisadores da Universidade da Califórnia.
Em resumo, busca-se trabalho em equipe. Assim como o James Webb trabalha em conjunto com o Hubble e em breve também fará isso com o Nancy Grace Roman Space Telescope, os cientistas na Terra têm a chance de fazer o mesmo.
Imagem: James Webb / NASA
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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