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Fabricar medicamentos no espaço: a nova proposta de duas farmacêuticas já está decolando

A microgravidade gera vantagens na sintetização dos fármacos

Medicamentos no espaço
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Duas empresas farmacêuticas firmaram uma parceria para colocar em prática um ambicioso plano de síntese de medicamentos no espaço. Não se trata de um capricho caro. Está mais do que comprovado que alguns medicamentos apresentam vantagens adicionais quando cristalizados em condições de microgravidade.

Até agora, as poucas empresas que haviam feito isso trabalharam sozinhas ou apenas com o apoio de agências como a NASA. Agora, o fato de duas delas estarem se associando sem a necessidade de intermediação de uma agência espacial pode ser o marco de uma nova era.

As duas empresas em questão são Varda Space Industries e United Therapeutics Corporation. A primeira, fundada por ex-funcionários da SpaceX, sintetiza medicamentos no espaço desde 2023. A segunda nunca foi além da Terra, mas é uma empresa de biotecnologia com potencial suficiente para que a união tenha muito mais força. O objetivo inicial será a cristalização em microgravidade de medicamentos para doenças pulmonares raras. No entanto, no futuro, poderão ser produzidos fármacos para muitas outras patologias.

A ideia de sintetizar medicamentos no espaço começou em 2019. Naquele ano, a Merck & Co., em colaboração com o International Space Station National Laboratory da Estação Espacial Internacional, realizou experimentos de cristalização com o medicamento pembrolizumabe. Trata-se de um fármaco contra o câncer que, como costuma ocorrer na quimioterapia, é administrado por infusão intravenosa em um processo que pode durar horas. Ao cristalizá-lo no espaço, obteve-se uma forma mais estável que permitia sua administração em uma única injeção, tornando o tratamento muito mais confortável para os pacientes.

Observou-se que, ao serem cristalizadas em condições de microgravidade, muitas moléculas se organizam de forma mais lenta e constante. O resultado são moléculas muito mais estáveis que, uma vez usadas como medicamento, apresentam uma grande variedade de vantagens. Por exemplo, dissolvem-se melhor, não exigem tanto frio para armazenamento, provocam menos efeitos colaterais e têm vida útil mais longa.

A experiência da Varda Space Industries

A empresa iniciou seu projeto de farmacologia espacial em 2023. Naquele ano, lançou ao espaço a primeira de uma série de cápsulas não tripuladas com reatores químicos em seu interior. Nesses reatores, moléculas são cristalizadas e, após algumas semanas ou meses de trabalho, retornam à Terra. Essa primeira cápsula foi a W-1. Atualmente, a W-6 está em missão e espera-se o lançamento de pelo menos mais três ainda este ano. Além disso, após a união com outra farmacêutica, a Varda Space Industries pretende ampliar o ritmo para sete lançamentos em 2027.

As moléculas cristalizadas no espaço dão origem a cristais maiores. Isso também facilita seu estudo. Por isso, projetos desse tipo não buscam apenas obter medicamentos. Espera-se também conseguir moléculas candidatas a se tornarem fármacos para que possam ser analisadas com mais profundidade pelos cientistas na Terra.

No futuro, as viagens ao espaço estarão muito mais disseminadas. A reutilização de foguetes permitirá realizar muito mais lançamentos em menos tempo, o turismo espacial se tornará cada vez mais frequente e muitas pesquisas públicas e privadas poderão ser conduzidas em órbita. Se houver investimento suficiente, a infraestrutura para produzir medicamentos no espaço será cada vez mais simples. E, sem dúvida, os benefícios para os pacientes também aumentarão.

Imagem | Varda Space Industries, Magnific

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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