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Esqueça as grandes potências militares porque um grupo rebelde inesperado acaba de transformar um pequeno corredor no oceano na maior ameaça ao comércio global

Ameaças de rebeldes houthis no entorno do Estreito de Mandeb coloca em risco uma das principais vias de circulação de energia do mundo e já provoca efeitos na economia global

Bab El Mandeb Strai ou Estreito de Mandeb
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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O Estreito de Mandeb, conhecido em árabe como “porta das lágrimas” ou “porta da dor”, voltou a virar notícia após a intensificação de ameaças e ataques ligados aos rebeldes houthis, do Iêmen. Localizado entre o Iêmen, Djibuti e Eritreia, o estreito conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e concentra uma das rotas marítimas mais importantes do mundo

Nos últimos meses, a intensificação do conflito no Oriente Médio, com envolvimento indireto do Irã e resposta militar de países como Estados Unidos e Reino Unido, transformou a região em um ponto crítico para o comércio global. O impacto já pode ser visto com navios desviando rotas, custos subindo e riscos crescentes para o transporte de energia e mercadorias.

Um dos pontos mais estratégicos do mundo é alvo da guerra

O conflito travado entre Estados Unidos, Israel e Irã, que se intensificou a partir da guerra em Gaza e da atuação de grupos aliados na região, como os houthis no Iêmen, ampliou a instabilidade no Oriente Médio e levou a novos pontos de tensão no mapa: o Estreito de Mandeb. Mas para entender por que essa situação preocupa tanto, é preciso entender o que esse local representa. O estreito não é apenas uma passagem no mar,  ele é uma das principais conexões entre o Oriente e o Ocidente, sendo essencial para o fluxo de mercadorias, mas principalmente de energia.

Diariamente, milhões de barris de petróleo e grandes volumes de gás natural passam por essa rota, que funciona como um elo direto com o Canal de Suez, a ligação mais curta entre a Europa e a Ásia. Estima-se que a grande maioria do comércio marítimo mundial atravesse essa região, o que faz com que qualquer instabilidade tenha efeitos instantâneos em outros lugares.

E é exatamente isso que está acontecendo agora. Com os ataques e ameaças dos houthis, muitas empresas começaram a evitar o trajeto e optar por outras rotas mais seguras, como o desvio pelo sul da África. O problema é que isso adiciona milhares de quilômetros às viagens, encarece o transporte e atrasa entregas em escala global. Além disso, o estreito ganhou ainda mais importância recentemente ao se tornar uma rota alternativa do Estreito de Ormuz, o principal corredor de petróleo do mundo e também alvo de ameaças na atual crise.

Instabilidade no Estreito de Mandeb já provoca alta no petróleo e impactos no comércio global

Diferente da situação do Estreito de Ormuz, que enfrenta ameaças ligadas diretamente ao conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos, o Estreito de Mandeb é resultado direto da atuação dos rebeldes houthis. O grupo intensificou ataques com drones e mísseis contra embarcações na região, aumentando o risco na rota. Embora afirme mirar alvos ligados a Israel, os ataques acabam atingindo navios de diferentes países e sem relação direta com o conflito.

O efeito dessa instabilidade já pode ser sentido no preço do petróleo, que reage rapidamente a qualquer ameaça na região, e nos custos de transporte marítimo. Em alguns casos, o valor do frete chegou a triplicar, refletindo o impacto dessa instabilidade na região. 


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