A guerra envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos ampliou rapidamente a tensão militar no Oriente Médio e começou a afetar uma das áreas mais sensíveis da economia global: as rotas marítimas por onde passam petróleo, gás e grande parte do comércio internacional. Com o Estreito de Ormuz sob risco de bloqueio e ameaças ao tráfego no Mar Vermelho e no Canal de Suez, países europeus passaram a reforçar sua presença militar na região.
Na terça-feira (3/3), o presidente Emmanuel Macron ordenou que o porta-aviões nuclear Charles de Gaulle fosse redirecionado do Mar Báltico para o Mediterrâneo, acompanhado por seu grupo de ataque naval, mas o envio envolve muito mais do que um único navio. A força inclui caças Rafale embarcados, aeronaves de alerta antecipado, fragatas de escolta e navios de apoio logístico, um conjunto que funciona como uma base militar flutuante.
Mas, apesar de toda a atenção voltada ao gigantesco porta-aviões e aos jatos supersônicos que operam a partir dele, um dos elementos mais estratégicos da operação pode ser justamente o navio mais discreto da frota: as fragatas de escolta.
Porta-aviões nuclear lidera mobilização francesa no Mediterrâneo
O Charles de Gaulle é o navio-almirante da Marinha Nacional Francesa e o maior porta-aviões da Europa Ocidental
O Charles de Gaulle é o único porta-aviões de propulsão nuclear da Europa e o principal navio da Marinha francesa. Com cerca de 42 mil toneladas e 261 metros de comprimento, ele pode operar até 40 aeronaves, incluindo os caças Rafale M. Seus dois reatores nucleares permitem uma autonomia extremamente alta, por isso o navio pode permanecer longos períodos em operação, precisando parar apenas para manutenção e reabastecimento de suprimentos para a tripulação.
Esse tipo de embarcação nunca navega sozinho. Ele atua no centro de um grupo de batalha de porta-aviões, cercado por fragatas e navios de apoio responsáveis por proteger a plataforma e ampliar seu alcance militar. E é justamente entre esses navios de escolta que está um dos elementos mais importantes da operação: as fragatas de escolta da classe FREMM.
Fragatas FREMM são consideradas os navios de guerra mais silenciosos do mundo
Entre os navios que acompanham o grupo de ataque francês estão fragatas da classe FREMM, como a Alsace e a Languedoc, enviada para reforçar a defesa aérea na região de Chipre. Essas embarcações têm cerca de 6 mil toneladas de deslocamento, medida que indica o peso total do navio, muito menos que as 42 mil toneladas do porta-aviões, mas possuem um diferencial técnico crucial: foram projetadas para serem extremamente silenciosas.
Toda a engenharia da classe FREMM busca reduzir o barulho do navio. Em um ambiente naval onde submarinos detectam alvos principalmente pelo som, isso faz com que essas fragatas sejam muito mais difíceis de localizar. Por isso, são consideradas quase “fantasmas” no oceano.
Navios silenciosos são peça-chave na guerra contra submarinos
O silêncio quase absoluto das fragatas tem uma função estratégica: combater submarinos inimigos antes que eles consigam se aproximar do porta-aviões. Para isso, as fragatas possuem sensores avançados com um arsenal pesado, que inclui mísseis antinavio Exocet, sistemas de defesa aérea Aster, torpedos antissubmarino e helicópteros NH90 Caïman especializados em caça submarina.
Enquanto o Charles de Gaulle e seus caças Rafale projetam poder militar e chamam atenção na superfície, essas embarcações fazem o trabalho mais silencioso de proteger todo o grupo naval. Em uma operação que mobiliza porta-aviões nucleares e jatos supersônicos, a segurança da frota depende desse navio que foi projetado para passar despercebido no mar.
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