Leonardo Del Vecchio nasceu em 1935, em Milão, na Itália, em uma família que enfrentava dificuldades financeiras. Aos sete anos, foi deixado pela mãe em um orfanato e, aos 14, começou a trabalhar como aprendiz em uma fábrica de medalhas enquanto estudava design. Em 1961, aos 25 anos, fundou a Luxottica, inicialmente dedicada à fabricação de armações de óculos. Anos depois, a empresa se tornaria um dos maiores grupos do setor no mundo, reunindo marcas como Ray-Ban, Oakley e Persol, além de redes de varejo como a Óticas Carol.
Del Vecchio decidiu controlar cada etapa do negócio para não depender de intermediários
Leonardo Del Vecchio fundou a Luxottica aos 25 anos e transformou a empresa em um dos maiores grupos do mercado de óculos
A história da Luxottica começou de maneira bem diferente do tamanho que a empresa alcançaria depois. Quando Leonardo Del Vecchio fundou o negócio na Itália, a companhia produzia principalmente armações. Mas o empresário não queria ficar limitado à fabricação: para ele, o design e a qualidade também eram partes importantes do produto.
Essa visão ajudou a orientar uma estratégia que se tornaria uma das principais características de seu negócio. A estratégia de Del Vecchio foi expandir a atuação da Luxottica para além da fabricação de armações, assumindo novas etapas do negócio. Em 1974, a Luxottica comprou a distribuidora Scarrone. Depois, criou uma fábrica na Alemanha e passou a estabelecer acordos de licenciamento com grandes nomes da moda, como Giorgio Armani. A empresa também avançou sobre o varejo, e com o tempo, passou a reunir atividades que iam da fabricação à distribuição e à venda dos óculos.
Leonardo Del Vecchio acreditava que, quanto mais etapas estivessem sob seu controle, menor seria a dependência de outras empresas para colocar um produto nas mãos do consumidor. Essa estratégia ganhou uma nova dimensão no fim dos anos 1980 e início dos anos 1990. A Luxottica fechou acordos com grandes marcas, abriu sua primeira subsidiária fora da Itália e adquiriu a Vogue em 1990. Em 1995, vieram a Persol e a US Shoe Corporation.
No mesmo período, Leonardo Del Vecchio levou a Luxottica à Bolsa de Nova York, e os recursos levantados com a oferta de ações deram novo fôlego à expansão do grupo. A partir daí, a empresa acelerou a compra de marcas e negócios do setor, ampliando sua presença no mercado e construindo, pouco a pouco, um portfólio que se transformaria em um dos maiores do segmento de óculos.
O salto da Luxottica: de fabricante de armações a gigante dos óculos
A Ray-Ban foi uma das marcas que passaram a fazer parte do grupo construído por Leonardo Del Vecchio.
Com mais capital para investir, Leonardo Del Vecchio passou a focar nas empresas e marcas que poderiam ampliar o alcance da Luxottica. Uma das aquisições mais importantes veio em 1998, com a compra da Ray-Ban. A marca, que enfrentava dificuldades, passou para as mãos da Luxottica e ganhou uma nova estratégia comercial. O grupo reposicionou a Ray-Ban e transformou os óculos em produtos associados ao mercado de grife, mudando a forma como a marca era apresentada ao consumidor.
Anos depois, outra concorrente importante entrou no caminho da Luxottica: a Oakley. A disputa terminou com a aquisição da fabricante americana pelo grupo italiano, em 2007, por mais de US$2 bilhões. A Luxottica também comprou redes de varejo em diferentes mercados, como OPSM, Pearle Vision e Sunglass Hut. No Brasil, o grupo adquiriu a Tecnol, em 2011, e a Óticas Carol, em 2017. O movimento cresceu ainda mais em 2018, quando a Luxottica se fundiu com a Essilor, maior fabricante de lentes do mundo. A operação criou a EssilorLuxottica e aproximou, dentro de um mesmo grupo, partes fundamentais do mercado de óculos: lentes, armações, marcas e varejo.
A trajetória de Leonardo Del Vecchio terminou em 2022, quando o empresário morreu aos 87 anos. Naquele momento, sua fortuna era estimada em US$25,5 bilhões, segundo a Forbes, colocando-o entre os homens mais ricos da Itália. O negócio que havia começado com uma pequena fábrica de armações havia se transformado em um grupo global com cerca de 180 mil funcionários, 18 mil lojas e faturamento anual de US$26 bilhões.
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