Com a chegada dos robotáxis na Europa, como evitar que as pessoas façam sexo dentro do carro autônomo? Pesquisadores foram ao Pornhub em busca de respostas

Workshop em Gotemburgo tentou encontrar soluções para como tornar esses espaços semipúblicos mais seguros

Táxis autônomos
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A chegada dos robotáxis representa um novo desafio para as autoridades: como monitorar o que as pessoas estão fazendo dentro desses veículos, que são de acesso público, e impedir que cometam crimes? Recentemente, foi noticiado o caso de dois homens que entraram em um Waymo portando armas e, agora, um grupo de acadêmicos está propondo outro cenário preocupante: o que acontece se os passageiros fizerem sexo dentro de um robotáxi?

O workshop “Love in Traffic”, realizado no último domingo durante a conferência AutomotiveUI 2026, em Gotemburgo, abordou esse tema. O tema central era a possibilidade de passageiros de veículos autônomos iniciarem atividade sexual diante da ausência da figura de autoridade representada pelo motorista. O objetivo era propor possíveis soluções para evitar esse tipo de comportamento.

Pavlo Bazilinsky é professor da Universidade de Tecnologia de Eindhoven e um dos pesquisadores que lideraram esse workshop. Em declarações à revista Wired, ele reconhece que recorreu ao popular portal de vídeos pornográficos Pornhub porque “é difícil prever o comportamento das pessoas”. Ao colocar “transporte público” na barra de busca, encontrou quase 300 resultados.

Embora o sexo em lugares semipúblicos tenha sua própria categoria na pornografia, não se trata de algo que existe apenas na ficção. São recorrentes os flagras sexuais em banheiros de aviões, trens e limusines, e os pesquisadores temem que, em robotáxis, isso se torne algo mais habitual porque, por não viajarem junto de pessoas desconhecidas, os passageiros terão uma sensação ainda maior de intimidade.

Possíveis soluções

Por enquanto, as conclusões do workshop não foram publicadas, mas, em sua pesquisa anterior, os acadêmicos detalham algumas possibilidades, como tornar os veículos transparentes, de modo que haja menos opções para se esconder. Eles também propõem modificar a distribuição interna para que o veículo seja percebido e funcione como um espaço coletivo, e não como um recinto íntimo. Outras possíveis soluções incluem alertas ou avisos que “interrompam” a atividade, porém sendo “proporcionais e não intrusivos”.

O sexo é o caso mais chamativo, mas o objetivo é mais amplo: usá-lo como caso de teste para projetar espaços autônomos compartilhados e seguros. Os pesquisadores acreditam que medidas que desencorajem comportamentos inadequados podem ajudar a prevenir problemas mais graves, desde assédio até roubos ou agressões.

Além disso, temem que esse tipo de episódio prejudique a aceitação social dos veículos autônomos. A aspiração deles é que, se esses serviços se espalharem pelo transporte público, sejam espaços percebidos como seguros, acessíveis e adequados para todos os tipos de passageiros.

Imagem | Xataka com Magnific

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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