Viajar é um daqueles planos que muita gente tenta manter vivo pelo menos uma vez ao ano. Seja para descansar, conhecer um lugar novo ou fugir da rotina, as viagens fazem parte do planejamento financeiro de milhões de brasileiros. O problema é que, nos últimos meses, organizar férias ficou muito mais caro. O aumento do preço das passagens aéreas, impulsionado pela alta do combustível de aviação e pela instabilidade econômica global, começou a afetar diretamente o bolso dos viajantes.
Uma pesquisa divulgada pelo Melhores Destinos mostra que 54% dos brasileiros já mudaram seus planos de viagem por fatores econômicos externos, como a valorização do dólar e o aumento dos custos operacionais das companhias aéreas. O levantamento entrevistou 500 pessoas em todas as regiões do Brasil e ajuda a entender como conflitos internacionais, combustível e câmbio passaram a influenciar até mesmo decisões simples, como escolher para onde viajar.
Guerra, petróleo e combustível: como um conflito do outro lado do mundo chegou ao bolso dos brasileiros
Os conflitos no Oriente Médio parecem distantes da realidade de quem está planejando uma viagem de férias no Brasil. No entanto, existe uma ligação direta entre guerra, petróleo e o preço das passagens aéreas. Grande parte dessa relação envolve o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte de petróleo. Localizada entre Omã e Irã, a região concentra parte significativa do petróleo exportado mundialmente. Sempre que surgem tensões militares ou ameaças de bloqueio na área, o mercado internacional reage rapidamente com alta no preço do barril - e isso afeta diretamente o setor aéreo.
O combustível de aviação é um dos principais custos das companhias aéreas. Quando o petróleo sobe no mercado internacional, o querosene de aviação também fica mais caro. O efeito dominó chega às passagens, que acabam sofrendo reajustes, especialmente em voos internacionais, mas também em nacionais.
Além disso, a valorização do dólar amplia ainda mais esse impacto. Como parte dos custos operacionais da aviação é dolarizada, qualquer alta da moeda americana pressiona ainda mais os preços finais para os consumidores brasileiros. A pesquisa mostra que essa situação já mudou o comportamento de muita gente. Enquanto parte dos entrevistados afirmou ter reduzido ou adiado viagens, outros disseram que continuam viajando, mas precisaram cortar gastos em outras áreas para conseguir manter os planos dentro do orçamento.
Milhas, promoções e baixa temporada: as estratégias dos brasileiros para continuar viajando
A alta do combustível de aviação e a valorização do dólar fizeram milhões de brasileiros repensarem os planos de viagem nos últimos meses
Mesmo diante do aumento dos custos, os brasileiros seguem procurando maneiras de viajar gastando menos. A pesquisa mostra que os consumidores estão mais atentos a promoções, flexibilizando datas e aproveitando programas de fidelidade para tentar driblar os preços elevados. Entre as principais estratégias adotadas estão:
- Uso de milhas, pontos e programas de fidelidade;
- Monitoramento constante de promoções de passagens aéreas;
- Flexibilidade nas datas da viagem;
- Preferência por baixa temporada;
- Busca por voos em horários alternativos.
O levantamento também identificou quais períodos do ano são considerados mais baratos para viajar. Os meses entre agosto e outubro, por exemplo, lideram a preferência dos entrevistados, seguidos pelo período entre abril e junho, épocas fora das férias escolares e das festas de fim de ano, quando a demanda costuma diminuir.
Em relação aos destinos mais econômicos dentro do Brasil, a Bahia aparece no topo da lista, seguida por São Paulo e Minas Gerais. Estados do Nordeste dominaram boa parte do ranking, impulsionados principalmente devido às praias, oferta turística e hospedagens mais acessíveis.
Já entre os destinos internacionais considerados mais baratos pelos brasileiros, os países vizinhos da América do Sul lideram a preferência. Argentina e Chile aparecem nas primeiras posições, enquanto Portugal aparece como o destino europeu mais citado. Segundo o levantamento, os fatores que contribuem para isso são a boa oferta de voos e os custos relativamente menores de hospedagem e alimentação.
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