Tendências do dia

Há 64 fábricas de chips semicondutores sendo construídas — e quase todas estão na China e em Taiwan

O gargalo tecnológico deve se perpetuar

Chips
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator

Victor Bianchin é jornalista.

1948 publicaciones de Victor Bianchin

Segundo a SEMI, uma organização internacional que representa os interesses das indústrias de eletrônica e circuitos integrados, apenas seis das 64 novas fábricas de semicondutores que entrarão em operação na Ásia antes de 2029 ficarão no sudeste asiático. As 58 restantes estarão localizadas na China e em Taiwan. Esses dois países têm motivos importantes para reforçar sua indústria de chips e ampliar sua capacidade de produção de circuitos integrados.

Para a China, é essencial colocar em funcionamento novas plantas equipadas com equipamentos de fotolitografia de ponta. E é exatamente isso que a SMIC, a Hua Hong Semiconductor e outras fabricantes chinesas de chips estão fazendo. Atualmente, o país está limitado pela dificuldade de ir além dos 7 nm sem poder utilizar as máquinas de litografia ultravioleta extrema (UVE) da ASML. Ainda assim, a Huali Microelectronics, divisão da Hua Hong Semiconductor especializada na fabricação de chips para terceiros, está se preparando para iniciar a produção de circuitos integrados de 7 nm em sua planta em Xangai.

Taiwan também precisa expandir sua indústria de semicondutores, embora seus motivos sejam muito diferentes dos da China. Os dois maiores fabricantes taiwaneses de circuitos integrados, TSMC e UMC, precisam colocar em funcionamento mais plantas de ponta para atender à demanda crescente de seus clientes. Os nós de 2 e 3 nm da TSMC, em particular, não dão conta da demanda, por isso é fundamental para a empresa ampliar sua capacidade de produção em meio ao auge dos centros de dados voltados a aplicações de inteligência artificial (IA).

A SEMI está preocupada com as vulnerabilidades da indústria de chips

Ajit Manocha, diretor-executivo da SEMI, afirma que “queremos ver mais polos surgindo em países aliados. Queremos que mais fábricas sejam instaladas para reduzir o risco decorrente das vulnerabilidades”. O que preocupa o porta-voz da organização é que as tensões geopolíticas envolvendo EUA, China e Taiwan acabem ameaçando as fábricas de circuitos integrados localizadas nesses dois últimos países. As da TSMC em Taiwan são especialmente sensíveis a um possível conflito com a China devido à importância estratégica inegável que têm não apenas para Taiwan, mas também para os EUA e seus aliados.

Malásia, Singapura, Vietnã e Tailândia são candidatos fortes para receber novas fábricas de chips de ponta. Na Malásia, já existem vários centros de encapsulamento avançado e verificação da Intel. No entanto, Manocha também está preocupado com outro tipo de vulnerabilidade. A mais crítica de todas é a escassez de minerais estratégicos, além de bromo e hélio, dois gases fundamentais nos processos de fabricação de chips.

O que está acontecendo com o hélio, em particular, é muito preocupante. Esse gás é um subproduto do processamento do gás natural e seu preço disparou em março pouco depois do início da guerra travada entre EUA, Israel e Irã, uma vez que o Catar foi obrigado a interromper a produção de gás natural liquefeito. No cenário atual de instabilidade, a SEMI defende que os países do sudeste asiático deveriam buscar construir mais fábricas de semicondutores ao longo da próxima década para ajudar o setor a se diversificar e reduzir os riscos de abastecimento.

Imagem | TSMC

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


Inicio