A neurociência explica: por que o cérebro de algumas pessoas prefere o papel ao teclado?

As faculdades passaram a ficar cheias de computadores e tablets, o que é um problema para a memória

Estudar no papel
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

1950 publicaciones de Victor Bianchin

Em uma era dominada por teclados mecânicos, telas sensíveis ao toque e tablets de última geração, o gesto ancestral de deslizar uma caneta sobre o papel parece um anacronismo reservado a quem não se atualizou. E essa é uma realidade em ambientes de estudo como, por exemplo, as universidades, onde já é raro ver alguém estudando à mão. Mas a verdade é que, para ser muito mais produtivo nos estudos, talvez o melhor seja deixar o notebook de lado e começar a escrever.

A “mágica” da caneta. Nesse ponto, a ciência, em diferentes áreas, chegou à conclusão de que tomar notas à mão melhora significativamente a retenção e a compreensão em comparação com o uso ativo de dispositivos digitais. E não é uma questão de romantismo, mas de processamento neural.

Um dos pilares dessa evidência está em um estudo publicado em 2014 que apontou que estudantes que usam notebooks para fazer anotações acabam se tornando verdadeiros transcritores do que o professor diz. E chegamos ao ponto em que muitas pessoas conseguem digitar mais rápido do que os professores falam, transformando-se em “máquinas de transcrição”, sem processar a informação nem reter o mais importante. 

Por outro lado, quem escreve à mão não consegue anotar tudo. Isso obriga a um processamento cognitivo ativo: é preciso ouvir, assimilar, sintetizar e reformular a ideia com as próprias palavras. Essa “dificuldade desejável” gera uma codificação muito mais profunda na memória, que persiste até mesmo uma semana depois do estudo.

Melhor no papel

Além do efeito de transcrição, a neurociência confirma que o benefício não é apenas estratégico, mas físico. Um estudo de 2021 da Universidade de Tóquio demonstrou, por meio de eletroencefalogramas, que escrever à mão ativa áreas cerebrais críticas para a memória, a linguagem e o movimento fino.

É por isso que, ao usar uma caneta, observou-se uma forte ativação do hipocampo, região fundamental para a memória e a codificação espacial da informação. Mas não para por aí: também foi detectado até 25% mais conectividade neural em tarefas complexas quando se utiliza o método analógico. Isso ajuda a explicar por que estudantes de cursos mais exigentes costumam ter melhor desempenho cognitivo quando optam por métodos analógicos, como nas engenharias.

Além da questão neural, o papel oferece uma vantagem competitiva no ambiente de estudo, já que é um sistema fechado. Isso é muito importante porque um tablet ou um notebook também são ferramentas que recebem notificações de redes sociais e aplicativos de mensagens, o que pode ser uma tentação e interromper o estudo com bastante facilidade.

Além disso, o papel facilita o reconhecimento de palavras e a memorização visual, algo vital para concursos ou exames de alto nível. Embora as anotações digitais, com um bom design, possam ser superiores para localizar rapidamente uma informação específica, o papel vence com folga na compreensão conceitual.

Imagens | yanalya (Magnific)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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