Prepare o bolso no supermercado: El Niño pressiona o preço do café, açúcar e cacau e a alta nos alimentos pode chegar a 9,5% com o impacto do clima extremo em lavouras no Brasil

Chuvas irregulares e temperaturas mais altas ameaçam importantes culturas brasileiras e podem chegar ao bolso do consumidor

Prepare o bolso no supermercado
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Natália P. Martins

Redatora

O El Niño já começa a influenciar as expectativas para os preços agrícolas, mesmo antes de atingir seu possível auge. A perspectiva de um fenômeno forte aumenta a preocupação com as próximas safras e leva o mercado a incorporar um chamado prêmio de risco climático nas cotações de produtos como café, açúcar e cacau.

Projeções citadas pelo O Globo apontam que a inflação dos alimentos consumidos nos domicílios brasileiros pode ficar entre 7,5% e 9,5% em 2027, caso os efeitos climáticos previstos se confirmem.

Café pode sentir os efeitos de alteração do clima

O café brasileiro está entre os produtos que podem sofrer com as alterações provocadas pelo clima. Chuvas acima do padrão em áreas produtoras podem atrasar a colheita, dificultar a secagem dos grãos e aumentar o risco de fermentação.

A umidade também pode antecipar a floração dos cafeeiros em regiões produtoras de Minas Gerais, São Paulo e Bahia, alterando o calendário da cultura.

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Segundo Carolina Giraldo, analista sênior de agronegócio da StoneX, em um levantamento citado pelo O Globo, o mercado já considera o risco de que um El Niño forte coincida com fases importantes do desenvolvimento das plantas.

Além da quantidade produzida, alterações nas condições de colheita e secagem também podem afetar a qualidade dos grãos, especialmente no segmento de cafés especiais.

Arroz, feijão e milho também entram na conta

A mudança no regime de chuvas também pode afetar alguns alimentos consumidos diariamente pelos brasileiros. 

Um relatório do Itaú citado pelo O Globo estima uma queda de 1,3% no PIB da agropecuária em 2027, com retração de aproximadamente 17% na produção de milho projetada no cenário analisado.

No caso dos milharais, as alterações nas chuvas podem atrasar o plantio da soja e reduzir a janela disponível para a segunda safra do cereal.

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Uma eventual redução na oferta de milho também pode provocar efeitos indiretos. Como o grão é utilizado na alimentação animal, uma alta pode elevar os custos de produção de frango, ovos, carne suína, leite e derivados.

O arroz também se torna um ponto de atenção. O Rio Grande do Sul responde por cerca de 71% da produção brasileira e pode enfrentar problemas provocados pelo excesso de chuva, que dificulta o plantio e a colheita.

Impacto pode chegar a 9,5% nas prateleiras

Para Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, o efeito mais significativo sobre os preços deve aparecer em 2027, quando uma eventual redução da produção chegar às prateleiras.

Por isso, a projeção é de uma inflação de alimentos no domicílio entre 7,5% e 9,5% no próximo ano. O fenômeno também poderia acrescentar entre 0,6 e 0,9 ponto percentual ao IPCA, segundo a avaliação apresentada pelo economista.

Além disso, a influência causada pelo El Niño não se restringe à agricultura. Alterações nas temperaturas e nas chuvas também podem modificar a demanda por determinados produtos.

Segundo a consultoria meteorológica Nottus, um eventual fortalecimento do fenômeno pode antecipar a transição para temperaturas mais altas no segundo semestre, aumentando antes do habitual a procura por ventiladores, ar-condicionado e outros produtos relacionados à climatização.

Imagens: Shutterstock

 

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