Ele comprou uma Lamborghini Miura por 10 mil dólares e a manteve na sala de estar; depois de 40 anos, ele a vendeu por mais de dois milhões

Existem alguns carros muito especiais, mas pouquíssimos como este

Ele comprou uma Lamborghini Miura por 10.000 dólares e a manteve na sala de estar. Depois de 40 anos, ele a vendeu por mais de dois milhões.
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Fabrício Mainenti

Redator

Descobertas de carros clássicos geralmente estão associadas aos famosos "achados em celeiros" (barn finds) — carros encontrados em celeiros empoeirados ou armazéns esquecidos. Mas este caso é ainda mais incrível: uma Lamborghini Miura P400 S passou mais de 40 anos estacionada na sala de estar de uma casa em Nova York.

A história foi revelada pelo especialista Larry Kosilla em seu programa, Extreme Detailing. E é um relato notável: um dos supercarros mais importantes da história, tratado quase como uma peça de mobiliário, foi preservado em condições praticamente perfeitas.

Uma das cápsulas do tempo mais excepcionais

A estrela desta história é o chassi número 4614, uma das 338 unidades da versão P400 S produzidas entre 1968 e 1971. Finalizada em julho de 1970, ela ostenta a raríssima cor "Luci del Bosco" (Luz da Floresta), rodas na cor bronze e interior em bege Gobi. Segundo o Jalopnik, apenas três Miuras desta série foram pintadas dessa maneira, e este carro específico nunca foi repintado em mais de meio século.

O nova-iorquino Paul D. Nadel comprou o carro na década de 1980 por apenas 10 mil dólares (cerca de 35 mil dólares/R$ 180.271 em valores atuais, embora isso não reflita o valor equivalente na época, é claro). Em vez de dirigi-lo pelas estradas, Nadel decidiu transformá-lo em uma peça de exibição: mandou içá-lo com um guindaste para dentro de sua sala de estar, reconstruiu uma parede à frente dele... e lá ficou o carro, imóvel, por quatro décadas.

Talvez preferíssemos dirigi-lo, mas não podemos culpá-lo. Imagine só tomar o café da manhã ou receber convidados com uma beleza dessas ocupando o lugar de destaque.

Quando Kosilla atendeu ao chamado de seu amigo Barrett — um especialista em carros clássicos que havia tomado conhecimento dessa história peculiar —, a cena era surreal: uma Miura estacionada entre móveis, como se estivesse dentro de uma cápsula do tempo, protegida das intempéries de Nova York.

Para retirá-la, primeiro tiveram de mover outro clássico que bloqueava a saída: nada menos que um Maserati Quattroporte de primeira geração. Depois veio a melhor parte: derrubar uma parede inteira da sala de estar.

Estado de conservação e autenticidade preservados: de US$ 10 mil a mais de dois milhões de dólares

Apesar de ter ficado guardado por tanto tempo em condições incomuns, o Miura mantém seu motor V12 original e a carroceria assinada pela Bertone, o que o torna um autêntico exemplar com numeração original de fábrica (matching-numbers). O hodômetro marcava pouco mais de 42.000 km — todos percorridos antes de sua longa hibernação, é claro.

O interior em tons de marrom e bege permanece em excelente estado, apresentando apenas um leve desgaste no banco do passageiro e marcas minúsculas, quase imperceptíveis, no capô.

Imagens | Extreme Detailing

A casa de leilões Gooding & Company descreveu o veículo como um "Miura perdido", já que seu paradeiro era desconhecido até 2024. No entanto, o anúncio ressaltava que o carro precisaria de uma revisão mecânica antes de voltar a rodar. Após ser resgatado, o Miura de chassi número 4614 foi arrematado no leilão de Pebble Beach, em 2024, por US$ 2.040.000 (cerca de R$ 10,5 milhões).

Para o proprietário, o investimento rendeu frutos generosos: o carro passou de uma compra de US$ 10 mil (cerca de R$ 51.506), realizada na década de 1980, para um valor mais de 200 vezes superior. Segundo o site Carscoops, um Miura S em boas condições pode alcançar mais de quatro milhões de dólares no mercado atual, embora o preço final dependa de diversos fatores. Em 2019, outro exemplar encontrado na Alemanha foi vendido em leilão por US$ 1,6 milhão (cerca de R$ 8,2 milhões).

Imagens | Extreme Detailing

Além de sua história, o Miura permanece uma lenda. Revelado no Salão do Automóvel de Genebra de 1966, foi o segundo modelo da Lamborghini e o primeiro a apresentar um motor V12 central-traseiro disposto transversalmente — saindo na frente da Ferrari e de todas as suas concorrentes. Com até 385 cv, atingia velocidades de 280 km/h, tornando-se o carro de produção mais rápido de sua época.

Seu design — criado por Marcello Gandini para a Bertone — e seu caráter inovador lançaram as bases para o que hoje conhecemos como "superesportivo". Não é exagero afirmar que, sem o Miura, o próprio conceito de superesportivo não existiria. Afinal, ele não foi apenas o primeiro superesportivo da história, mas também permanece como o mais lendário de todos.

Imagens | Extreme Detailing

Imagens | Extreme Detailing

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