Buscamos luas fora do Sistema Solar há décadas: cientistas chilenos estão convencidos de que encontraram uma

A descoberta foi feita no sistema CD-35 2722

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Bárbara Castro

Redatora

No nosso Sistema Solar são conhecidas mais de 400 luas que orbitam planetas. Se considerarmos também as que giram em torno de planetas anões ou asteroides, conhecemos quase 1.000 satélites. No entanto, até o momento, não havia evidências claras da existência de luas além da nossa vizinhança cósmica. Embora já sejam conhecidos mais de 6.000 exoplanetas, nenhuma lua havia sido confirmada ao redor deles. Isso significa que não existem luas fora do nosso sistema planetário? Não necessariamente. O mais provável é que elas existam, mas ainda não tínhamos sido capazes de encontrá-las. Por isso é tão interessante a descoberta feita recentemente por uma equipe de cientistas da Universidade Diego Portales, no Chile. 

Esta é a descrição mais sólida do que pode vir a ser a primeira lua fora do Sistema Solar. Há alguns meses outra candidata foi identificada, mas as evidências neste caso são muito mais contundentes.

 A descoberta foi feita no sistema CD-35 2722, formado por uma pequena estrela do tipo M e uma anã marrom girando ao seu redor. As anãs marrons são objetos difíceis de classificar, já que estão no meio do caminho entre uma estrela e um planeta. Por isso, quando os cientistas detectaram o que parecia ser a prova de um objeto girando ao seu redor, ficaram entusiasmados e intrigados. Eles poderiam estar finalmente diante da descoberta de uma lua fora do Sistema Solar, mas ela ainda pode ser considerada uma lua se orbita uma anã marrom?

Uma estrela conta com energia interna suficiente para conseguir fundir átomos de hidrogênio em hélio, gerando ainda mais energia no processo. Já um planeta não consegue realizar esse processo, precisando receber energia de alguma estrela próxima ou reter a gerada em seu interior durante sua formação. As anãs marrons ficam no meio-termo porque não são capazes de fundir hidrogênio comum, mas conseguem fundir um isótopo dele chamado deutério. Esse processo gera menos energia, fazendo com que sejam bastante frias, mas o fato é que isso também as afasta de serem consideradas planetas comuns.

Os pesquisadores responsáveis pelo achado estavam analisando a velocidade radial da anã marrom quando notaram uma série de flutuações explicáveis apenas pela presença de um objeto orbitando ao seu redor. Quando isso acontece, o corpo de maior massa (a anã marrom) atrai o outro objeto, mas a própria anã marrom também oscila ligeiramente, aproximando-se e afastando-se do ponto de observação. Esse movimento gera alterações em seu espectro de emissão, que podem ser medidas pela técnica da velocidade radial. Com base nessas variações, é possível calcular o tamanho e a massa do corpo causador da oscilação. Nesse caso, constatou-se que ele teria cerca de 90% da massa de Júpiter e completa uma órbita a cada 170 dias em torno da anã marrom.

A União Astronômica Internacional não possui uma definição rigorosa sobre o que constitui uma lua. Portanto, mesmo que este objeto não orbite um planeta típico, e sim uma anã marrom, considerá-lo uma lua ainda pode ser aceitável. Mesmo assim, por enquanto, os autores da descoberta preferiram classificá-lo como um exossatélite.

Vale destacar que muitas anãs marrons vagam solitárias pelo espaço, enquanto esta orbita uma estrela, o que lhe confere uma semelhança a mais com os planetas. Isso reforça ainda mais seu perfil semelhante ao de um satélite.

Outro detalhe fascinante é que a anã marrom tem uma órbita tão excêntrica que a presença desse terceiro objeto no sistema deveria ter provocado um imenso caos gravitacional. Mesmo assim, ele permanece ali. O fato de ter resistido a essas condições extremas torna o caso ainda mais instigante para futuras pesquisas. Tudo indica que estamos diante de uma exolua — e o melhor de tudo é que esta pode ser a primeira de muitas.

Matéria traduzida de Xataka*



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