Mark Zuckerberg já era considerado um senhor tecnofeudal. Agora, também tem seu castelo

O fundador da Meta acrescentou ao seu patrimônio um castelo gótico de 1830 com 11 quartos e 178 hectares

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Há bilionários que colecionam relógios de luxo, carros clássicos e até iates. Outros, como Mark Zuckerberg, parecem colecionar metros quadrados em propriedades espalhadas pelo planeta. Sua última aquisição tem torres, um rio ao lado e quase dois séculos de história.

O fundador da Meta acaba de acrescentar um castelo na Irlanda ao seu mapa pessoal de propriedades. E fez isso justamente enquanto muitos estudiosos comparam o papel geopolítico dos atuais CEOs e bilionários à frente das grandes empresas de tecnologia com o dos senhores feudais da Idade Média, em um fenômeno chamado tecnofeudalismo. Agora, esse senhor “tecnofeudal” já tem até seu castelo.

Segundo o jornal irlandês The Irish Times, Mark Zuckerberg e Priscilla Chan compraram o castelo de Strancally, no condado de Waterford, no sul da Irlanda. De acordo com a Fortune, o bilionário teria pago cerca de 35 milhões de dólares pela propriedade.

A propriedade onde fica o castelo tem 178 hectares, cercados por campos de cultivo e às margens do rio Blackwater. O castelo foi construído por volta de 1830 para o político conservador John Keily e conta com 1.486 metros quadrados de área construída e 11 quartos. A propriedade foi completamente restaurada há duas décadas. “Mark e sua família estão encantados em continuar cuidando desta casa histórica”, declarou Brian Baker, porta-voz do CEO, à Fortune.

Como todo castelo que se preze, suas paredes guardam os ecos de uma lenda sombria. A cerca de 4,5 quilômetros do castelo atual ficava o castelo original de Strancally, fundado no século 12 por Raymond “le Gros”, um importante senhor anglo-normando da guerra.

Segundo a tradição local registrada pelo escritor William Howitt em 1847, aquele castelo escondia um “murder hole”: um buraco escavado na rocha que se comunicava com o rio, onde os condes de Desmond convidavam viajantes ricos para jantar e depois os amarravam e jogavam no Blackwater, cuja correnteza levava seus gritos sem deixar vestígios, segundo o Daily Mail. Não há evidências documentais de que a lenda seja verdadeira, mas o folclore local continua contando a história.

Por que a Irlanda

O motivo de Zuckerberg ter escolhido a Irlanda para comprar seu castelo tem pouco de romantismo e muito de logística. Segundo o Irish Times, a Meta tem sua sede europeia em Dublin desde 2009. O quadro de funcionários foi reduzido nos últimos meses, mas ainda gira em torno de 1.800 pessoas distribuídas em várias sedes. Strancally fica a pouco mais de 200 quilômetros desse escritório. Vendo por esse lado, não deixa de ser um senhor tecno-feudal se aproximando de seus domínios.

No entanto, os grandes patrimônios buscam isolamento e controle sobre o terreno que os rodeia. O corretor imobiliário Josh Pim, da Savills, destacou à BBC a raridade arquitetônica desses castelos irlandeses, cercados por vastas extensões de terra e até mesmo rios que mantêm distância de seus vizinhos mais próximos. Waterford oferece as duas coisas: uma relativa proximidade com os grandes centros de negócios e a exclusividade de ser o único vizinho em vários quilômetros ao redor.

O castelo de Strancally não é a única fortaleza do fundador do Facebook. O bilionário possui um complexo com cinco casas em Palo Alto e duas propriedades no lago Tahoe. Também soma mais de 486 hectares em um complexo residencial privado em Kauai, no Havaí. Além disso, recentemente comprou uma mansão de 150 milhões de dólares em Indian Creek, mais conhecida como o bunker dos bilionários, a ilha onde também vive Jeff Bezos.

A compra do castelo de Strancally representa apenas uma gota no oceano de seu patrimônio, que, segundo a lista de bilionários da Forbes, é estimado em 196,6 bilhões de dólares.

O fantasma do tecnofeudalismo

A comparação dos atuais tecnomilionários, como Mark Zuckerberg, Elon Musk e Jeff Bezos, com os senhores feudais da Idade Média não nasceu com esse castelo e conta com vozes críticas de ambos os lados do espectro político.

Como explicou em uma entrevista à revista Jacobin o economista e ex-ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis, ele usa esse tipo de propriedade para ilustrar sua tese do tecno-feudalismo, desenvolvida em seu livro Technofeudalism: What Killed Capitalism.

Segundo as teses de Varoufakis e de outros estudiosos do tema, o capitalismo do século 21 foi substituído por um sistema no qual os donos da nuvem cobram rendas em vez de competir nos mercados, e os usuários trabalham como servos digitais dessas infraestruturas a cada clique.

Imagem | Magnific

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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