Sam Altman opina sobre a lentidão na adoção da IA: “A economia tem muita inércia”

Em entrevista, CEO da OpenAI explica sua frustração com a substituição dos processos nas empresas

Sam Altman
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Sam Altman, CEO da OpenAI, pensava que, após o lançamento do GPT-4, as coisas mudariam muito mais rapidamente. Em uma conversa recente com David Senra, o executivo reconheceu que “me enganei em algumas coisas, uma delas é em relação à velocidade: a economia tem inércia demais”. Altman esperava que boa parte dos softwares empresariais sofresse grandes mudanças e que novas empresas pudessem apresentar alternativas às existentes. Ele acreditava que a IA alteraria processos e negócios em um ritmo enorme. Não foi o que aconteceu.

O problema não é técnico. Os modelos melhoraram muitíssimo desde que o GPT-4 apareceu em 2023, mas as empresas não mudam no mesmo ritmo que as APIs. Para substituir processos, é preciso integrar sistemas, revisar a segurança, migrar dados, treinar funcionários e convencer clientes. Há etapas intermediárias demais que dificultam a conclusão da “revolução”: pode ser que abrir o ChatGPT e usá-lo leve segundos, mas redesenhar os fluxos internos de uma empresa pode levar anos. Não importa que os modelos não parem de melhorar: as empresas continuam se movendo na velocidade humana.

Entre os consumidores, porém, o uso da IA disparou quase imediatamente: o ChatGPT foi o produto que mais rapidamente chegou a 100 milhões de usuários na história (embora depois o Threads tenha superado essa marca). No entanto, a adoção empresarial foi muito mais lenta. As empresas adotam projetos-piloto para integrar a IA aos seus processos, mas dependem de fornecedores ou aplicações legacy. Altman esperava que a IA acelerasse a mudança, mas reconhece que os custos de mudar processos antigos podem ser quase tão importantes quanto as capacidades dos novos.

Na entrevista, o CEO da OpenAI também afirma que, na realidade, essa lentidão pode fazer com que a transição nas empresas seja mais suave. Quando a economia tem tanta inércia, ela funciona como um amortecedor da revolução. Embora as startups de IA queiram vender IA o mais rápido possível, a adoção de saltos tecnológicos costuma levar tempo e ele reconhece que isso não é algo ruim.

Tendemos a superestimar o impacto de uma tecnologia no curto prazo e a subestimá-lo no longo prazo. Com a IA, parece que estamos justamente em uma incômoda fase intermediária na qual, após o entusiasmo inicial, o impacto real no nosso mundo ainda não é totalmente visível. O que está acontecendo confirma a lei de Amara, que fala justamente sobre como as mudanças tecnológicas, por mais espetaculares que pareçam, levam tempo para se concretizar.

O PC e a internet confirmam isso. Os primeiros computadores pessoais do final dos anos 1970 e início dos anos 1980 despertaram enormes expectativas, mas seu impacto veio quando empresas e lares mudaram sua forma de trabalhar para fazê-lo em torno deles. Com a internet, isso ficou ainda mais claro: a bolha das empresas ponto com demonstrou que sua importância havia sido superestimada naquele momento. Com o passar dos anos, porém, a internet acabou se tornando uma das tecnologias que mais transformaram o nosso mundo.

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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