As obras do metrô de Málaga revelam os restos mortais de mais de 1.000 pessoas da época romana

Os arqueólogos já determinaram que estamos diante de um dos conjuntos funerários romanos mais extensos e mais bem conservados da Espanha

As obras do metrô de Málaga revelam os restos mortais de mais de 1.000 pessoas da época romana.
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Fabrício Mainenti

Redator

As obras de expansão do metrô de Málaga revelaram uma enorme necrópole romana que altera significativamente os limites do mapa antigo da cidade. A descoberta, localizada em frente ao segundo edifício da loja El Corte Inglés, estende-se por 400 metros e tornou-se um importante ponto de interesse para arqueólogos. Trata-se, na verdade, de um dos conjuntos funerários romanos mais extensos e bem preservados de toda a Espanha.

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Segundo dados da Secretaria de Fomento da Junta da Andaluzia (via Diario Sur), a pesquisa documentou 984 complexos funerários contendo os restos mortais de mais de 1.000 pessoas da época romana, todas sepultadas (por meio de inumação). Os corpos estavam depositados em solos de argila vermelha, que foram posteriormente cobertos por hortas — primeiramente de origem islâmica e, mais tarde, da era moderna.

Os complexos apresentam diversos tipos de sepulturas: desde estruturas com tégulas (telhas romanas), mensas (mesas funerárias) e cistas (caixas de pedra), até coberturas de tégulas em duas águas, covas simples e ânforas utilizadas para recém-nascidos. Além disso, observou-se que as covas eram frequentemente reutilizadas; também foram encontradas moedas de diversas procedências, o que foi interpretado como um indício do caráter portuário da cidade.

De acordo com as conclusões dos arqueólogos, os complexos datam de um período entre os séculos II e IV d.C. e estavam organizados de tal forma que indicavam uma possível via de saída de Malaca (nome antigo de Málaga) em direção à costa.

Esse achado altera o mapa antigo de Málaga, pois revela que a linha da costa situava-se em um local diferente do que se supunha anteriormente. Em suma, a presença de uma necrópole de tamanha dimensão indica que o terreno era firme e servia como uma área suburbana.

Restos funerários vêm sendo encontrados desde maio de 2025

A descoberta, embora tenha atingido uma escala inesperada, não é totalmente nova. As obras do metrô de Málaga já haviam revelado algumas tumbas dispersas em maio de 2025, as quais foram inicialmente documentadas como sepultamentos isolados.

No entanto, essa surpresa inicial cresceu com o tempo; em maio de 2026, falava-se em um complexo de 630 tumbas e, agora, o número ultrapassou 1.000 corpos, tornando o local uma das maiores necrópoles da Espanha.

Arqueólogos e antropólogos já estão trabalhando no estudo de todos os restos encontrados; parte deles será exibida em um futuro espaço expositivo, próximo ao túnel da estação Guadalmedina. A maior parte, contudo, será armazenada nas instalações do Museu de Málaga.

E quanto às obras do metrô? Os trabalhos continuam, mas passarão por alterações significativas. Segundo o planejamento estabelecido pela Secretaria de Fomento (responsável pelas obras), pela Secretaria de Cultura e pela equipe de arqueologia, a descoberta implica a redução do trecho anteriormente planejado, passando de 406 para 250 metros lineares.

Além disso, a data de conclusão, prevista inicialmente para novembro de 2026, foi adiada para os primeiros meses de 2027. Ainda assim, a descoberta de um complexo funerário de grandes proporções é de extrema importância para pesquisadores, arqueólogos e historiadores, sendo fundamental para a compreensão da configuração da Espanha antiga.

Imagem de capa | Junta da Andaluzia

Texto traduzido e adaptado do portal 3D Juegos

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