300 geleiras desapareceram do oeste americano desde meados do século XX; as sobreviventes têm algumas coisas em comum

Os Estados Unidos não são os únicos afetados por esse fenômeno, que se estende a todo o planeta

300 geleiras desapareceram do oeste americano desde meados do século XX. As sobreviventes têm algumas coisas em comum.
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Fabrício Mainenti

Redator

Nossas paisagens estão mudando radicalmente com o passar dos anos, e os altos cumes dos Estados Unidos não têm sido uma exceção, visto que o oeste do país sempre foi uma referência pela quantidade de geleiras que possui. E falamos no passado porque um artigo publicado na revista PNAS aponta que cerca de um quarto das geleiras já foi perdido.

Um inventário

Para entender exatamente o que está acontecendo, os cientistas compararam mapas topográficos históricos do Serviço Geológico dos Estados Unidos — elaborados a partir de fotografias aéreas tiradas entre 1955 e 1990 — com o inventário mais recente, concluído em 2015. Vale ressaltar que nem tudo o que se vê é, de fato, uma geleira; para os especialistas, essa classificação exige que se trate de uma massa perene de neve e gelo em constante movimento.

À primeira vista, os números brutos podem causar confusão: os mapas antigos registravam 1.453 geleiras, enquanto o inventário mais recente contabiliza 1.331. O ponto de confusão é que, embora pareça, à primeira vista, que 122 geleiras foram perdidas, a realidade é que 300 geleiras desapareceram.

Por quê?

A resposta para essa discrepância reside na fragmentação: à medida que as grandes geleiras diminuem devido ao calor, muitas se partem em pedaços menores, inflando artificialmente o número de geleiras individuais, mesmo com a queda acentuada na quantidade total de gelo.

O resultado final é uma redução de 35% na área total de gelo e de 33% no seu volume. Algumas regiões foram as mais afetadas, como a área de Beartooth-Absaroka, que registrou uma perda de até 77%.

Há sobreviventes

Diante desse cenário, surge a pergunta: como é possível que os glaciares remanescentes continuem a existir em um clima regional cada vez mais hostil? A resposta, segundo os especialistas, reside — paradoxalmente — no próprio recuo. À medida que os glaciares do oeste dos Estados Unidos encolhem, eles se retraem para os recantos mais protegidos das montanhas.

Dessa forma, os sobreviventes mantêm-se vivos graças à topografia local; ao se tornarem muito pequenos, conseguem refugiar-se em bacias, ravinas profundas ou sob a sombra de grandes picos, que os isolam da incidência direta do sol.

Uma morte anunciada

Apesar dessa resistência heroica, favorecida pelas características do terreno, o futuro a médio prazo é pouco promissor. Um estudo anterior, realizado pela mesma equipe, analisou detalhadamente a Península Olímpica, no estado de Washington. Lá, metade da vasta superfície gelada documentada em 1900 já desapareceu; desde 1980, 35 glaciares e 16 campos de neve perenes sumiram — uma perda atribuída diretamente ao aquecimento do ar.

Diante desses dados, a expectativa é que, por volta de 2070, boa parte dos glaciares acabe desaparecendo por completo. Contudo, o problema não se restringe aos Estados Unidos; esse recuo é um reflexo da situação global. Dados publicados no início de 2025 indicam claramente que, entre 2000 e 2023, o planeta perdeu 273 gigatoneladas de gelo por ano. Portanto, por ora, o futuro não reserva nada de positivo.

Imagem de capa | Alberto Vivas

Texto traduzido e adaptado do portal parceiro Xataka Espanha

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