As buscas na internet pelo termo “energia sustentável” dispararam 650% no último ano no Brasil, somando mais de 250 mil pesquisas, segundo levantamento realizado pela Bulbe, empresa que atua com energia solar por assinatura. O estudo mostra que o interesse é puxado principalmente por mulheres jovens entre 18 e 24 anos. Esse aumento acontece em meio a sucessivos aumentos tarifários e à pressão das bandeiras vermelha e amarela na conta de luz. Ao mesmo tempo, revela uma mudança de comportamento que mistura “sobrevivência financeira” e preocupação ambiental.
Bandeiras tarifárias pressionam inflação e empurram consumidor para outras alternativas
Buscas por “energia sustentável” cresceram 650% em um ano, segundo levantamento realizado pela Bulbe. Créditos: Bulbe
No verão, a cena se repete em muitas casas brasileiras: ar-condicionado ligado por mais tempo, ventiladores no máximo e a conta de luz que pode até dobrar de valor de um mês para o outro. O susto ao abrir a fatura é grande, e o orçamento doméstico fica ainda mais apertado. No ano passado, a cobrança da bandeira vermelha pesou durante seis meses, enquanto a amarela prevaleceu por mais dois, encarecendo ainda mais a tarifa.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o efeito das bandeiras representou 11,26% da alta do IPCA em 2025, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, que mede a inflação oficial do país. Isso significa que a conta de luz ajudou a puxar para cima o custo de vida do brasileiro.
É por isso que muitos brasileiros passaram a procurar por alternativas que pesassem menos no bolso no final do mês. O levantamento da Bulbe indica que, além do termo “energia sustentável”, há forte interesse por “energia solar” e crescimento nas buscas por “energia solar por assinatura”, um modelo que permite ao consumidor receber créditos de geração solar sem instalar painéis em casa. Essa alternativa pode funcionar para muitos brasileiros que desejam fugir das tarifas consideradas abusivas.
Jovens mulheres lideram nova onda de consumo consciente e energia por assinatura
Se o bolso dói, o comportamento também muda. E os dados mostram quem está à frente dessa transformação. De acordo com o levantamento, 53,2% das buscas por energia sustentável partem do público feminino. Além disso, 52,4% de quem pesquisa o tema está na faixa etária de 18 a 24 anos.
Essa combinação ajuda a explicar o avanço acelerado do interesse por energia sustentável no país. De um lado, jovens mulheres lidam diretamente com orçamento apertado, aluguel, estudos e início de carreira. De outro, fazem parte de uma geração que valoriza práticas mais sustentáveis e redução de emissão de CO₂, demonstrando que economia e responsabilidade ambiental caminham lado a lado.
O avanço de modelos como a energia por assinatura reforça essa tendência. Nesse sistema, empresas especializadas geram energia solar e repassam créditos aos consumidores, que recebem desconto na conta sem precisar investir em uma placa solar própria. Com isso, o que começou como uma tentativa de aliviar o orçamento mensal pode estar acelerando uma mudança estrutural no modo como os brasileiros consomem energia.
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