Rússia blindou suas rotas logísticas contra drones. A Ucrânia respondeu atacando algo muito mais vulnerável: o asfalto

Quando o objetivo deixa de ser o caminhão e passa a ser a estrada por onde ele circula, proteger a logística militar vira uma missão quase impossível.

Rússia blindou suas rotas logísticas contra drones. A Ucrânia respondeu atacando algo muito mais vulnerável: o asfalto
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ana-serra

Carolina Rodrigues

Redatora
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Em 1945, os Estados Unidos lançaram a Operação Starvation (Operação Fome). Em vez de caçar os navios japoneses um a um, decidiram espalhar minas pelas rotas marítimas por onde eles passavam. A estratégia funcionou tão bem que o tráfego marítimo do Japão desabou, provando que a própria estrada (ou rota) pode ser um alvo tão valioso quanto o veículo que anda nela. 

Mais de 80 anos depois, a Ucrânia está usando exatamente a mesma lógica contra a Rússia

Dos caminhões para as estradas

Durante meses, o exército ucraniano focou em destruir caminhões, comboios e depósitos de combustível que abasteciam as tropas russas. A Rússia reagiu rápido: reforçou as defesas antiaéreas e criou corredores de proteção para blindar seus veículos contra os drones. 

Ao perceber que os caminhões ficaram difíceis de acertar, Kiev mudou o foco para a infraestrutura. Agora, os drones ucranianos começaram a lançar minas diretamente no asfalto das rodovias que ligam a Rússia à Crimeia ocupada. Qualquer viagem por ali virou um jogo de roleta russa. 

A estratégia do bloqueio sutil

O plano da Ucrânia não é explodir as estradas ou parar o trânsito para sempre, mas impor um "bloqueio logístico". O segredo está em atrasar as entregas e gerar cansaço psicológico. 

  • Se um comboio precisa parar a cada quilômetro para checar o asfalto, a carga atrasa.
  • Estradas fechadas por horas para varredura quebram o ritmo de abastecimento das linhas de frente.
Guerra da Ucrânia

Minas inteligentes impressas em 3D

A grande inovação dessa tática não são as minas em si, mas como elas funcionam e são entregues. A Ucrânia está usando drones para espalhar minas leves feitas em impressoras 3D. Elas vêm equipadas com sensores magnéticos ou de movimento. 

Essas cargas não precisam destruir um caminhão pesado para funcionar. Se um veículo quebra no meio de uma rodovia de pista única, cria-se um engarrafamento gigante. Com a fila de caminhões parados, eles viram alvos fáceis para novos ataques aéreos vindos do céu. Uma única mina pequena consegue paralisar uma coluna militar inteira por horas. 

As rodovias sob pressão

Informações de fontes russas apontam que o foco dos ataques está no corredor terrestre do sul de Ucrânia ocupada, que liga a Rússia à península da Crimeia. Rodovias importantes como a M-14 (que passa por Mariúpol e Melitópol) e a R-280 já sofrem com bloqueios constantes devido às minas jogadas pelos drones ucranianos.

Isso cria um perigo em camadas para os motoristas russos: eles precisam olhar para o céu para fugir de drones com inteligência artificial e, ao mesmo tempo, vigiar o asfalto para não explodir.

Guerra da Ucrânia e drones no asfalto

O dilema russo

A Rússia já começou a mover sistemas pesados de defesa antiaérea (como o Tor-M2) para tentar proteger as estradas, mas isso criou outro problema: a Ucrânia começou a caçar esses sistemas caros enquanto eles estão em trânsito.

Além disso, proteger centenas de quilômetros de rodovias abertas exige um esforço financeiro e militar absurdo, muito maior do que proteger apenas uma base ou uma trincheira na linha de frente. 

Se as estradas de asfalto ficarem inutilizáveis, a Rússia terá que depender quase 100% da Ponte de Kerch para abastecer a Crimeia, uma estrutura que a Ucrânia já tentou derrubar várias vezes. No xadrez da guerra moderna, o asfalto virou a peça mais frágil do tabuleiro. 

Texto traduzido e adaptado do site Xataka Espanha. 

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