Milhões de adolescentes transformaram a IA em seu psicólogo de plantão. É um desafio sem precedentes para a medicina

A inteligência artificial como terapeuta disponível 24 horas por dia pode acabar custando muito caro para os jovens.

Adolescentes usando IA como consulta psicológica.
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ana-serra

Carolina Rodrigues

Redatora
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Redatora

Existe um debate muito forte na sociedade sobre como as redes sociais afetam a saúde mental dos mais jovens, sugerindo até limites de idade para o uso de aplicativos. No entanto, enquanto toda a atenção estava voltada para os algoritmos do TikTok ou do Instagram, uma nova tendência cresceu silenciosamente: o uso da inteligência artificial generativa como psicólogo

As novas terapias virtuais

Uma pesquisa feita pela RAND Corporation revelou o tamanho desse fenômeno ao analisar o comportamento de 1.058 jovens entre 12 e 21 anos. Os dados acendem um alerta: 13,1% dos adolescentes e jovens adultos usam IA generativa para pedir conselhos sobre saúde mental. 

O cenário fica ainda mais preocupante na faixa dos 18 aos 21 anos, onde o número salta para 22,2%. Para quem pensa que é só uma curiosidade passageira, o estudo mostra que 65,5% desses usuários conversam com o robô sobre seus sentimentos pelo menos uma vez por mês ou mais. 

Por que os jovens gostam tanto?

O que mais chama a atenção na pesquisa não é apenas o fato de os jovens usarem os robôs como terapeutas, mas o quanto eles gostam da experiência: 92,7% das pessoas afirmaram que os conselhos da IA foram úteis. 

Os motivos que justificam esse sucesso são bem práticos: 

  • Disponibilidade total: o "serviço" funciona a qualquer hora do dia ou da noite.
  • Custo zero: não há nenhuma barreira econômica para iniciar a conversa.
  • Sem julgamentos: a sensação de privacidade total faz com que o jovem desabafe sem medo de ser criticado por outro ser humano. 

Com tudo isso, a inteligência artificial virou o primeiro socorro emocional da Geração Z. 

O outro lado da moeda

O fato de uma ferramenta parecer útil não significa que ela seja clinicamente segura. Misturar inteligência artificial generativa com psiquiatria é um campo perigoso, e as principais instituições médicas já estão preocupadas. 

A American Psychological Association (Associação Americana de Psicologia) emitiu um aviso oficial sobre os riscos de usar IA para diagnosticar ou tratar transtornos mentais. O órgão explica que os modelos de linguagem são programados apenas para adivinhar a próxima palavra correta e soar empáticos e convincentes. No entanto, o sistema não tem compreensão real, contexto clínico ou capacidade para lidar com crises graves. 

Riscos reais

Pesquisadores da Universidade de Stanford testaram as respostas de vários chatbots simulando consultas de saúde mental. A conclusão foi alarmante: em 1 a cada 5 casos, a inteligência artificial deu conselhos inseguros ou totalmente errados para a situação do usuário

Estamos diante de um grande dilema político e de saúde pública. A IA está preenchendo um vazio enorme deixado por um sistema de saúde mental que está colapsado e inacessível para a maior parte da população jovem no mundo inteiro. 

Como proibir ou bloquear o acesso a essas tecnologias não é um caminho realista, o verdadeiro desafio para as empresas de tecnologia e agências de saúde será criar barreiras de segurança eficientes, garantindo que os robôs direcionem os usuários para ajuda humana e serviços de emergência sempre que for necessário.

Imagem | Daria Nepriakhina 🇺🇦 

Texto traduzido e adaptado do site Xataka Espanha. 

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