A operação oculta que lucra bilhões com o caos no Irã e a "tática" inesperada que faz a Europa faturar mais com a guerra

Algo que exige relativamente poucos ativos físicos

Petróleo
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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.

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Quando conflitos explodem na Península Arábica, a primeira imagem que costuma vir à mente é a dos produtores de petróleo lucrando com a alta dos preços. Mas há outro negócio, muito mais discreto, que vem gerando bilhões de dólares: o comércio global de petróleo e gás.

Segundo uma análise publicada pela The Economist, as grandes petroleiras europeias transformaram suas divisões de trading em verdadeiras máquinas de lucro. BP, Shell e TotalEnergies movimentam diariamente entre 40 e 50 milhões de barris equivalentes de petróleo, um volume até dez vezes superior ao que produzem diretamente.

A guerra como lucro

O mais curioso é que esse dinheiro não depende apenas do preço do petróleo subir. O segredo está em aproveitar diferenças de preço entre regiões, momentos e tipos de combustível. Quanto maior a volatilidade causada por guerras, sanções ou crises energéticas, mais oportunidades surgem para comprar onde está barato e vender onde há escassez.

É justamente por isso que a guerra envolvendo o Irã acabou beneficiando essas operações. A publicação estima que apenas em 2026 as áreas de trading das três gigantes europeias possam gerar entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões em lucro antes dos impostos, representando algo entre 15% e 20% dos lucros combinados das empresas. Como o trading exige relativamente poucos ativos físicos, sua contribuição para a rentabilidade total é ainda maior.

Um dos exemplos mais impressionantes ocorreu após os bombardeios ao Irã. Inicialmente, alguns operadores apostavam que haveria excesso de oferta de petróleo ao longo de 2026 e foram pegos de surpresa pelo conflito. Em vez de insistirem nas apostas erradas, mudaram rapidamente de estratégia e passaram a explorar a enorme volatilidade criada pela guerra. 

Em um dos casos citados, a Total conseguiu lucrar mais de US$ 1 bilhão ao garantir praticamente toda a produção exportável de petróleo dos Emirados Árabes Unidos e de Omã disponível para compra meses antes da entrega.

Europa lucra com caos na Península Arábica

Esse desempenho também ajuda a explicar por que as petroleiras europeias vêm superando algumas rivais americanas em desempenho financeiro desde o agravamento das tensões no Golfo. 

Enquanto empresas como Exxon e Chevron continuam altamente dependentes da produção, as europeias construíram, ao longo de décadas, sofisticadas redes de negociação internacional que conseguem transformar crises em oportunidades comerciais.

Esse modelo nasceu por necessidade histórica. Após perderem boa parte de seus ativos na Península Arábica durante as nacionalizações dos anos 1970, empresas europeias passaram a negociar petróleo produzido por terceiros em vez de depender apenas da própria produção. Com o tempo, desenvolveram equipes altamente especializadas espalhadas por centros como Londres, Genebra, Houston e Singapura, utilizando informações de refinarias, terminais, navios e mercados ao redor do mundo para identificar oportunidades quase em tempo real.

Mesmo assim, especialistas alertam que essa vantagem pode diminuir nos próximos anos. Concorrentes independentes, como grandes tradings globais, além de empresas nacionais de petróleo e gigantes americanas, vêm investindo pesadamente para desenvolver capacidades semelhantes. 

O trading deve permanecer como um dos negócios mais lucrativos, e menos conhecidos, da indústria mundial do petróleo.

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