Arqueólogos que encontraram um santuário romano em Cuenca: "Uma pequena coruja pode ser vista, que é a ave que representa Minerva"

Arqueólogos encontraram algo inesperado numa pedreira em Cuenca: um santuário dedicado a Minerva

Imagens | Governo de Castilla-La Mancha e Wikipedia
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PH Mota

Redator
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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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Numa pedreira, espera-se encontrar principalmente trabalhadores, máquinas e pilhas de blocos. Isso é verdade hoje e provavelmente também era o caso (com as óbvias diferenças) na época do Império Romano, quando os pedreiros da Hispânia escavavam as montanhas e cavernas da península em busca de depósitos minerais. Numa pedreira explorada entre os séculos I e IV d.C. em Cuenca, no entanto, os arqueólogos encontraram algo mais: um santuário de 2 mil anos dedicado a Minerva.

De uma simples pedreira a um templo.

O que aconteceu?

Arqueólogos fizeram uma descoberta fascinante em Carrascosa del Campo, no município de Campos del Paraíso (Cuenca): um santuário dedicado à deusa Minerva. A descoberta é interessante pelo valor da própria escultura, mas o que a torna verdadeiramente especial é o seu contexto.

A edícula não foi erguida no centro de uma cidade, no pátio de uma vila rica ou nas paredes de um santuário. A peça votiva foi esculpida na rocha de uma pedreira. Seus criadores a esculpiram na entrada do sítio arqueológico, um lugar onde certamente era mais provável encontrar pedreiros do que sacerdotes.

Como é o santuário?

O pequeno templo está localizado em um lugar conhecido como Peña de la Saceda, e os especialistas estimam que tenha sido esculpido entre meados do século II e início do século III d.C. A estrutura consiste em pilastras, capitéis, um frontão triangular e um entablamento esculpido, imitando um pequeno santuário.

Embora a representação da deusa Minerva esteja bastante deteriorada pela passagem dos séculos, especialistas identificaram seus atributos tradicionais (capacete, lança e peplo) e uma pequena coruja, ícone usado como símbolo da deusa.

Sabemos algo mais?

"Da deusa Minerva, quase nada é visível. O que se vê claramente é uma pequena coruja, a ave totêmica que a representa", explica Juan Carlos Guisado di Monti, um dos arqueólogos que escreveu o artigo na revista Mantva que revelou a descoberta, em entrevista à rádio SER.

O relevo é acompanhado por uma breve inscrição na parte inferior da edícula, que diz: "Minervae dominae Ploti vs cun svo comitato", que significa: "À Senhora Minerva, (dedicado) por Plotius Vigor com sua comitiva".

Onde foi encontrado?

Essa é a chave. O pequeno templo, com 0,7 m de largura por 0,5 m de altura, foi concebido como "uma pequena fachada esculpida diretamente em uma das faces de pedra da pedreira". Seus criadores esculpiram a estrutura em arenito, ali mesmo na pedreira, e não em um local remoto.

Este não é um detalhe insignificante, pois revela uma conexão entre o profano e o sagrado, mostrando como uma pedreira, um espaço aparentemente funcional e voltado para o trabalho, também poderia adquirir um significado sagrado com um santuário dedicado à deusa da sabedoria, das artes, da estratégia e do artesanato.

Original

Achado único?

"Existem outros templos dedicados a deuses em outras pedreiras, mas até agora, nenhum dedicado a Minerva havia sido descoberto na Espanha. Esta é a descoberta mais importante e surpreendente, pois sugere que os trabalhadores da pedreira faziam seus 'votos' à deusa pelo trabalho que realizavam", explica Dionisio Urbina, que dirige as escavações no sítio romano há mais de uma década, ao jornal elDiario.

Igualmente reveladora é a breve inscrição localizada na base do santuário, que inclui a frase "cum suo comitato", sugerindo aos arqueólogos que a oferenda não era individual, mas sim proveniente de um grupo.

De que eram feitas as pedreiras?

O santuário estava localizado a apenas 15 km de Segóbriga, um importante sítio arqueológico que inclui um teatro inaugurado durante o reinado do Imperador Vespasiano, no século I d.C. Como observam os autores do estudo, a área também era conhecida por suas minas de lápis-lazúli, uma pedra de gesso selenita muito valorizada em Roma para a fabricação de janelas, cuja exploração gerava riqueza na região. Agora, o santuário descoberto em Carrascosa del Campo revela algo mais: a veneração de Minerva.

"O santuário rupestre de Minerva é uma descoberta de valor excepcional. A antiga pedreira, transformada em local de devoção, demonstra como a religião romana se expressava não apenas em grandes santuários urbanos ou periurbanos, mas também em sítios rurais e produtivos onde a comunidade, os trabalhadores ou seus patronos buscavam proteção e inscreviam na rocha tanto sua veneração à deusa quanto a lembrança de seu voto", concluem os pesquisadores.

A descoberta, no entanto, foi acompanhada de alguma controvérsia. Após a notícia circular nos principais meios de comunicação nos últimos dias, o diretor da escavação de Cerro de la Muela salientou que o trabalho ainda está "em andamento" e lamentou o que considera uma "divulgação não autorizada" dos resultados.

Imagens | Governo de Castilla-La Mancha e Wikipedia

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