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Se você consegue imaginar cenas quase como um filme, sua mente pode ser mais especial que a média

Você tem o "olho da mente"?

Fantasia
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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.

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A capacidade de fechar os olhos e "enxergar" uma maçã com perfeição, rotacioná-la mentalmente e notar o brilho da luz em sua casca não é uma experiência universal. Para a maioria das pessoas, a imaginação é uma representação borrada ou apenas conceitual. No entanto, existe um grupo cujas mentes operam em "Ultra HD". Esse fenômeno é conhecido como hiperfantasia, o extremo oposto da afantasia (a incapacidade de visualizar imagens mentalmente).

A hiperfantasia descreve indivíduos que possuem imagens mentais tão vívidas e detalhadas quanto a percepção real. É como possuir um cinema particular onde as cenas são projetadas com cores, texturas e movimentos quase indistinguíveis da realidade.

O que a ciência diz sobre o "olho da mente"

O termo ganhou força em 2015, quando o neurologista Adam Zeman, da Universidade de Exeter, cunhou os termos afantasia e hiperfantasia, embora existam estudos ainda mais modernos, como este de 2024. Ele utilizou o Questionário de Vivacidade de Imagem Visual (VVIQ), desenvolvido originalmente por David Marks em 1973, para medir quão "brilhantes" são as imagens internas de uma pessoa.

Estudos de ressonância magnética funcional (fMRI) indicam que pessoas com hiperfantasia apresentam uma conexão mais forte entre o córtex visual (responsável pelo processamento de imagens) e as regiões pré-frontais do cérebro (envolvidas no controle e na tomada de decisões). 

Em termos práticos, o cérebro hiperfantasioso consegue recrutar as áreas da visão com muito mais intensidade durante um pensamento do que o cérebro de uma pessoa média.

Vantagens e desafios de uma mente de alta definição

Ter uma mente fotorealista traz benefícios claros em profissões criativas e técnicas. Arquitetos, designers, escritores e engenheiros com essa condição conseguem projetar estruturas complexas e simular falhas antes mesmo de colocar a ideia no papel. Por outro lado, a hiperfantasia pode tornar memórias traumáticas ou pensamentos intrusivos muito mais intensos e perturbadores, já que o cérebro os "projeta" com realismo assustador.

Estima-se que cerca de 2% a 3% da população mundial viva no espectro da hiperfantasia. Para esses indivíduos, a imaginação não é apenas um conceito abstrato, mas uma ferramenta sensorial completa que dita como eles interagem com o mundo e com o próprio passado.

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