Uma epidemia comprovada: os “pais helicóptero” e seu controle excessivo estão fazendo disparar a ansiedade das crianças

Evitar que uma criança enfrente uma decisão complicada não é um favor que fazemos a ela, mas justamente o contrário

Pais helicóptero
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Estão ali para tudo. Resolvem os problemas antes que apareçam, supervisionam cada tarefa escolar, fazem cada trâmite básico, intercedem junto aos professores e não deixam margem para o fracasso. Essa descrição, que durante décadas foi disfarçada como “amor incondicional” e “proteção”, para a ciência é simplesmente a receita dos “pais helicóptero”. Uma forma de criar os filhos que, embora pareça muito benéfica para os pequenos, na realidade está cobrando seu preço na autonomia e nas emoções das gerações atuais.

Quando os pesquisadores analisam o impacto da criação helicóptero em larga escala, a verdade é que não há muitas dúvidas. Para isso, podemos recorrer a uma recente revisão sistemática norueguesa que analisou 38 estudos independentes, na qual se descobriu que entre 70% e 90% das pesquisas apontam para uma relação entre o controle parental excessivo e o sofrimento mental. Em contrapartida, nenhum estudo apontou para uma redução do estresse.

Isso é reforçado por uma extensa metanálise de 53 estudos que demonstra que esse estilo parental reduz drasticamente a autoeficácia, piora o desempenho acadêmico e aumenta diferentes transtornos mentais, como a depressão e a ansiedade em jovens.

Sem espaço para amadurecer

As consequências de “sobrevoar” constantemente a vida dos filhos geralmente surgem quando eles entram na universidade ou ingressam no mercado de trabalho, onde de repente precisam amadurecer da noite para o dia para enfrentar os problemas sem a proteção dos pais. Já vimos, inclusive, algumas universidades pedindo aos pais que não compareçam às instituições de ensino superior para reclamar em nome de filhos que já são maiores de idade.

E o fato de essas gerações terem sido tão protegidas se traduz posteriormente em menor determinação pessoal, maior medo da intimidade quando enfrentam algo difícil e problemas de integração social. O fato de não terem enfrentado frustrações em ambientes controlados porque elas lhes foram evitadas faz com que, no fim, desenvolvam medo do fracasso e, consequentemente, evitem enfrentar problemas. Em resumo, a maturidade é adiada.

A vida acadêmica sofre bastante. Em 2017, um grande estudo apontou que estudantes universitários com “pais helicóptero” relatam pior desempenho acadêmico, pior integração social e, sobretudo, maior dependência de medicamentos como ansiolíticos para lidar com o sofrimento psicológico provocado pela nova realidade.

Além disso, o problema tem raízes precoces, já que estudos longitudinais mostram que um alto controle parental é capaz de contribuir para depressão futura em crianças a partir dos 11 anos. 

O mecanismo psicológico por trás desse desastre emocional está bem documentado e aponta que a parentalidade helicóptero frustra as necessidades psicológicas mais básicas dos menores, sobretudo a autonomia. Ao afastá-los de diferentes situações, a mensagem transmitida é que eles não são capazes de fazer as coisas por si mesmos, fazendo com que a autoestima despenque e eles não consigam valorizar as próprias capacidades.

Isso, em situações complicadas como a tomada de decisões na vida adulta, é onde o verdadeiro efeito dessa superproteção pode ser percebido, já que tudo sempre foi resolvido pelos pais. 

Imagem: Vitaly Gariev (unsplash)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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