Tendências do dia

Onde ficam as fronteiras da Via Láctea? A ciência acabou de determinar: 40.000 anos-luz a partir do centro

É o mais parecido com uma borda que foi encontrado até agora

Via Láctea
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator

Victor Bianchin é jornalista.

1910 publicaciones de Victor Bianchin

Encontrar a borda da Via Láctea (ou de qualquer outra galáxia) é extremamente difícil. Galáxias não são espaços perfeitamente bem delimitados, mas sim uma espécie de nuvem com bordas difusas. Ainda assim, a ciência está há muitos anos tentando encontrar os limites da Via Láctea. Até agora, isso havia sido impossível, mas uma equipe internacional de cientistas, liderada pela Universidade de Malta, descobriu que estávamos definindo essas bordas da forma errada.

Segundo essa nova pesquisa, o mais parecido com uma borda da galáxia seria o local onde as estrelas deixam de se formar. Isso, com base nos cálculos, se encontra aproximadamente em um ponto entre 36.800 e 39.600 anos-luz do centro. Esse seria o raio.

Até agora, o erro estava em considerar que as bordas da Via Láctea são aquelas que abrigam as estrelas mais distantes. Só que esse conceito de borda acaba precisando ser redefinido constantemente. Isso porque, conforme as ferramentas para detectar estrelas vão ficando mais sofisticadas, mais longe elas são encontradas.

Além disso, esses cientistas observaram que há estrelas que se deslocam após sua formação, sobretudo quando ocorre uma explosão de supernova nos arredores. Portanto, as estrelas sozinhas não poderiam nos ajudar a definir algo parecido com uma fronteira. De fato, existem estrelas até 10 mil anos-luz mais distantes do que aquilo que esses pesquisadores definiram como um possível limite.

Neste caso, o raio é medido em quiloparsecs, que equivalem a 3.262 anos-luz cada um. Neste caso, o raio é medido em quiloparsecs, que equivalem a 3.262 anos-luz cada um.

As primeiras estrelas nascem no centro das galáxias, onde há maior densidade de gás e poeira. Depois, quando a gravidade permite a formação de pequenos bolsões de gás condensado, elas também podem se formar cada vez mais longe. Por isso, as estrelas mais antigas são as que se encontram no centro, e as mais distantes, as mais novas. Isso sem contar as que se dispersam e se movem para outros pontos da galáxia — justamente as que haviam complicado tanto a busca por essas supostas fronteiras galácticas.

Os autores do estudo, que foi publicado recentemente, concentraram-se em analisar as órbitas estáveis — aquelas cujas estrelas mal migraram além de seu ponto de origem. Assim, encontraram o limite do nascimento estelar. Os telescópios podem olhar além.

Para além dessas fronteiras, ainda há gás e poeira. No entanto, eles não se condensaram o suficiente para garantir o nascimento de estrelas. Possivelmente, isso se deve à ausência de processos gravitacionais suficientemente intensos. De qualquer forma, apesar de terem encontrado pela primeira vez algo parecido com uma borda difusa, é importante insistir que à Via Láctea não tem oficialmente “fronteiras”.

Imagens | Freepik, Universidade de Malta

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


Inicio