A empresa que não perdoa ninguém: Nintendo cansa de processar fãs e agora exige uma fortuna do próprio governo dos EUA

Ela não está sozinha e cobrança coletiva chega em até US$ 200 bilhões

Controle da Nintendo
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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


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Conhecida por adotar uma postura extremamente rígida contra pirataria e modificações em seus jogos, a Nintendo agora decidiu enfrentar um adversário bem maior: o próprio governo dos Estados Unidos.

A empresa entrou com um processo para recuperar valores pagos em tarifas de importação que foram posteriormente consideradas ilegais pela Suprema Corte dos Estados Unidos. A disputa envolve medidas comerciais impostas durante o governo de Donald Trump em 2025.

Na ação judicial, a Nintendo pede o reembolso de tarifas pagas sobre produtos importados, além de juros. O valor exato que a companhia busca recuperar não foi divulgado, mas ela faz parte de um grupo muito maior de empresas que, juntas, exigem quase US$ 200 bilhões em devoluções.

Tarifas de importação atingiram fabricantes de tecnologia

As tarifas, apelidadas de “Liberation Day tariffs”, foram implementadas pelo governo Trump em abril de 2025 e chegaram a ultrapassar 25% sobre importações vindas de países como Japão, Taiwan, Coreia do Sul, Índia, Vietnã e China.

Em alguns momentos, as taxas direcionadas à China chegaram a superar 100%, o que causou forte impacto em empresas que dependem de cadeias globais de produção, especialmente fabricantes de hardware.

A Nintendo, por exemplo, produz grande parte de seus dispositivos na Ásia. Embora a empresa tenha afirmado que as tarifas não influenciaram diretamente o preço de lançamento do Nintendo Switch 2, que chegou ao mercado por cerca de US$ 450, as medidas comerciais afetaram o planejamento da companhia.

Durante o período de incerteza tarifária, a Nintendo chegou a adiar a abertura de pré-vendas do console por algumas semanas antes de seu lançamento oficial.

Suprema Corte considerou tarifas ilegais

No mês passado, a Suprema Corte decidiu que o governo havia ultrapassado sua autoridade ao impor essas tarifas sem aprovação do Congresso.

O governo Trump utilizou uma interpretação inédita da International Emergency Economic Powers Act, uma lei que permite ao presidente regular importações em situações de emergência. No entanto, a legislação não menciona tarifas e nunca havia sido usada dessa forma por presidentes anteriores.

Após a decisão judicial, diversas empresas passaram a exigir reembolsos. Estimativas indicam que o governo dos EUA pode ter que devolver cerca de US$ 166 bilhões em tarifas cobradas, além dos juros, que poderiam acarretar em até US$ 200 bilhões.

O problema é que a própria US Customs and Border Protection admitiu que seus sistemas atuais não têm capacidade para processar rapidamente um volume tão grande de reembolsos.

Agora, a disputa pode se transformar em uma longa batalha jurídica e administrativa — desta vez com a Nintendo enfrentando um governo e não um leaker ou jogador.

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