A China se prepara para um dos maiores desfiles militares da história e será, acima de tudo, um aviso para o mundo

O desfile pretende comemorar o 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, mas também servirá para alertar o Ocidente sobre as capacidades militares do país

China prepara desfile militar / Imagem: Pang Xinglei/Xinhua
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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No próximo dia 3 de setembro, Pequim transformará a Praça Tiananmen no epicentro de uma demonstração de força sem precedentes. A China realizará um desfile militar massivo para comemorar o 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial. Além disso, também será o momento perfeito para mostrar ao Ocidente as capacidades militares adquiridas sob o governo de Xi Jinping.

Mais de 10.000 militares, cerca de cem aeronaves e várias centenas de veículos terrestres participarão de uma cerimônia de 70 minutos que promete ser a maior exibição de armamento chinês desde 2019. O desfile incluirá 45 formações de tropas e apresentará mais de 100 tipos diferentes de equipamentos militares, todos de produção nacional e em serviço ativo.

As autoridades chinesas confirmaram que grande parte do armamento será completamente novo. Entre as novidades destacam-se mísseis hipersônicos capazes de viajar a cinco vezes a velocidade do som, sistemas de defesa antimísseis, armas de energia dirigida, drones de combate autônomos e sistemas de guerra eletrônica. Segundo o major-general Wu Zeke, subdiretor responsável pelo desfile militar, essas armas “demonstrarão plenamente a sólida capacidade de nosso exército de se adaptar aos avanços tecnológicos e vencer guerras futuras”.

Uma mensagem para outro destinatário

Embora oficialmente comemore a vitória sobre o Japão, o desfile tem um objetivo estratégico nas entrelinhas: mostrar aos Estados Unidos e seus aliados no Pacífico a nova capacidade militar chinesa. Os analistas esperam ver novos modelos de mísseis antinavio, como os YJ-15, YJ-17, YJ-19 e YJ-20, projetados especificamente para neutralizar porta-aviões e negar o acesso às forças navais ocidentais na região.

O arsenal que Pequim exibirá também tem implicações diretas para o futuro de Taiwan. Os novos tanques com torres não tripuladas e sistemas de proteção ativa complicariam significativamente a estratégia de defesa da ilha, que se baseia em armas antitanque móveis e baratas. Como aponta Sheu Jyh-Shyang, do Instituto de Pesquisa de Defesa e Segurança Nacional de Taiwan: “Isso não são boas notícias para Taiwan”.

A presença confirmada do presidente russo Vladimir Putin ao lado de Xi Jinping durante a cerimônia envia outra mensagem geopolítica poderosa. Putin já havia participado do grande desfile militar da China em 2015, quando a maioria dos líderes ocidentais recusou o convite, o que representa mais um passo na aliança entre os dois países frente ao Ocidente.

O desfile de poder militar ocorre em um momento de máxima tensão no Pacífico. O Exército Popular de Libertação intensificou seus exercícios simulando bloqueios e ataques contra Taiwan, ao mesmo tempo em que nega sistematicamente a capacidade de operação das forças estadunidenses na região. Pequim prometeu revelar mais detalhes sobre o armamento específico que será mostrado nas próximas semanas.

Imagem | Pang Xinglei/Xinhua

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.

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