Um asteroide escondia um segredo há 170 anos: ele tem três "cabeças"

Para além da aparência, este corpo celestial pode esconder segredos sobre a origem da Terra

(Xataka)
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Bárbara Castro

Redatora

As ferramentas de observação do céu evoluíram tremendamente nos últimos dois séculos. Como exemplo, o asteroide 44Nysa, que foi descoberto em 1857 pelo astrônomo Hermann Mayer Salomon Goldschmidt. Ao longo dos anos, no entanto, descobriu-se que não era um asteroide qualquer, pois parecia ter duas cabeças ou, tecnicamente falando, dois lóbulos. Agora, graças às observações feitas pelo Large Binocular Telescope (LBT) e pelo Very Large Telescope (VLT), sabemos que ele é, na verdade, um Cão Cerberus vindo do espaço, pois tem não mais nem menos que três "cabeças". É o primeiro deste tipo já identificado.

As três cabeças de Nysa não eram fáceis de identificar porque o próprio brilho emitido pelo asteroide dificultava a visualização de sua estrutura. Por esse motivo, os autores do estudo recém-publicado usaram dois dispositivos de imagem de alto contraste, o SHARK-VIS no LBT e SPHERE e seu polarímetro ZIMPOL no VLT. Além disso, eles usaram óptica adaptativa, que neutraliza o efeito de desfoque da atmosfera para aumentar ainda mais a resolução das imagens.

Por outro lado, combinaram tudo isso com técnicas de processamento de imagem que permitiram refinar e eliminar ainda mais o halo brilhante que cerca o asteroide. Assim, aquela terceira cabeça que passou despercebida nos últimos 170 anos veio à tona.

Esses pesquisadores observaram que o 44Nysa mede 75 quilômetros em seu ponto mais largo, possui dois vales que já haviam sido mais ou menos vistos anteriormente e que agora sabemos ser a união dos "pescoços" de suas três cabeças.

Sua composição também tem sido estudada. Sua superfície é mais brilhante do que a da maioria dos asteroides porque é muito rica em enstatita silicatada, que não contém ferro, tornando-o um asteroide do tipo E.

Algo que também passou despercebido, porque não podia ser discernido pelo brilho do asteroide, é que ele até tem uma lua que gira ao seu redor. Inicialmente, ele foi identificado como um objeto muito menor, com um quilômetro de largura, localizado a 170 quilômetros do asteroide. Como foi observado em duas ocasiões distintas, foi provado que ele realmente se move ao redor de 44Nysa, como a Lua ao redor da Terra.

(Divulgação) Uma seta aponta para a lua que gira ao redor do asteroide

Existem duas hipóteses sobre a origem do 44Nysa. Por um lado, poderia ser resultado da fusão de três objetos, que daria origem a cada uma de suas cabeças. Por outro lado, é possível que tenha sido atingido por um objeto maior, talvez outro asteroide, que o deformaria, dando-lhe aquela aparência de três cabeças. Para que essa última hipótese se encaixe, por volta de 44Nysa teria que haver mais objetos de composição semelhante. Os destroços da colisão. No momento, esses não foram detectados, mas os cientistas continuarão investigando tudo ao redor deles. Claro, isso inclui seu satélite também.

Conhecer a origem de Nysa não é útil apenas por ser curioso observar um asteroide de três cabeças, mas também porque asteroides do tipo E se formaram próximos ao Sol, então eles podem estar relacionados aos blocos construtores dos planetas internos do sistema solar. Isso inclui a Terra.

Matéria traduzida de Xataka*

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