O telescópio James Webb vem detectando pontos vermelhos no universo há anos: o único problema é que não sabemos o que são

Um novo estudo propõe que alguns deles podem ser estrelas supermassivas primitivas

James Webb
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator

Victor Bianchin é jornalista.

1787 publicaciones de Victor Bianchin

O telescópio espacial James Webb vem apontando para as regiões mais remotas do Universo há anos e, a cada nova observação, tem revelado algo que não se encaixa completamente. Em suas imagens aparecem pequenos pontos vermelhos, diminutos e brilhantes, que se repetem com uma frequência difícil de ignorar. Não se trata de uma anomalia isolada nem de um erro de observação: são objetos que os astrônomos estudam há algum tempo sem ainda ter uma explicação convincente sobre sua natureza.

Um novo estudo publicado no The Astrophysical Journal, liderado por Devesh Nandal e Avi Loeb, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, apresenta uma alternativa à interpretação mais comum. Especificamente, sugere que alguns desses pontos vermelhos podem não ser sistemas dominados por buracos negros ativos, mas sim estrelas supermassivas formadas no universo primordial. Em declarações ao Live Science, Nandal afirma que esse tipo de estrela pode explicar características-chave desses objetos sem depender da presença de buracos negros em crescimento.

Antes dessa reviravolta, os chamados “pequenos pontos vermelhos” já estavam há algum tempo no radar da astronomia. O termo começou a se consolidar em estudos publicados em 2024, quando várias equipes passaram a analisá-los de forma sistemática após as primeiras observações do Webb.

Nos primeiros anos de análise, a explicação mais aceita era que esses pontos vermelhos eram impulsionados por buracos negros em crescimento. Em uma fase inicial, parte dos pesquisadores atribuiu sua cor vermelha à presença de poeira no entorno, embora trabalhos posteriores tenham deslocado parte desse foco para o gás de hidrogênio.

O que não se encaixa

Com o tempo, algumas observações complicaram essa interpretação inicial. Vários desses objetos não apresentam emissões claras em raios X, um dos sinais mais comuns de buracos negros ativos, e seus espectros carecem de linhas metálicas intensas além do hidrogênio e do hélio. Soma-se a isso “The Cliff”, um dos objetos analisados pelo programa RUBIES, que não se encaixa nem como uma galáxia convencional nem como um sistema dominado por poeira.

James

Nesse contexto, encaixa-se a proposta do novo estudo, que sugere uma interpretação diferente para pelo menos parte desses objetos. Em vez de buracos negros ativos, alguns pequenos pontos vermelhos poderiam ser estrelas supermassivas formadas a partir de gás primordial, compostas quase exclusivamente por hidrogênio e hélio, e observadas pouco antes de colapsar. Segundo o modelo desenvolvido pela equipe, esse cenário reproduz tanto o brilho extremo quanto características específicas de seus espectros, sem a necessidade de assumir a presença de um buraco negro em crescimento.

O novo estudo não encerra o debate, mas sim o amplia. Os próprios pesquisadores reconhecem que demonstrar de forma direta o que existe por trás desses objetos continua sendo extremamente difícil, e outras vozes da comunidade científica enfatizam que nenhuma das hipóteses pode ser descartada até o momento. A presença de buracos negros nesses sistemas ainda não foi comprovada diretamente e, por enquanto, é inferida principalmente a partir do brilho e da abundância desses objetos.

Imagens | NASA/ESA/CSA (1, 2)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


Inicio