Os escorpiões são animais que, apesar do tamanho geralmente pequeno, causam um medo gigantesco em muita gente. Afinal, dependendo da espécie, uma picada pode ser perigosa. Agora, imagine se deparar com um escorpião de mais de um metro de comprimento e com pinças que chegam a 16 centímetros. Parece impossível, coisa de filme, mas por incrível que pareça, um animal com essas dimensões pode ter existido há cerca de 415 milhões de anos, muito antes dos dinossauros. Fósseis encontrados na Inglaterra e no País de Gales foram reanalisados em um estudo publicado na revista científica Palaeontology, que aponta o Praearcturus gigas como um dos maiores escorpiões conhecidos pela ciência.
Fósseis antigos ajudaram a confirmar a identidade do escorpião gigante
Embora a descoberta esteja sendo bastante comentada agora, os fósseis não foram encontrados recentemente. Eles estão preservados em coleções de museus desde o século XIX e só agora passaram por uma nova análise, com fotografias detalhadas, ilustrações anatômicas e tomografia computadorizada. O Praearcturus gigas era um mistério para os pesquisadores. Quando foi descrito pela primeira vez, em 1870, chegou a ser classificado como um crustáceo semelhante aos tatuzinhos-de-jardim. Muitos anos depois, surgiu a hipótese de que se tratava de um escorpião, mas a falta de partes importantes do corpo e a preservação fragmentada dos fósseis mantiveram o debate aberto.
A nova pesquisa identificou características compatíveis com as dos escorpiões, como as grandes pinças formadas por um dedo fixo e outro móvel e uma estrutura alongada na parte inferior do corpo. Com base nessas evidências, os cientistas também concluíram que fósseis anteriormente atribuídos a outras espécies provavelmente pertenciam ao mesmo animal.
Escorpião pode ter vivido entre a água e a terra
Comparado aos escorpiões atuais, o Praearcturus gigas impressionava pelo tamanho: podia ultrapassar um metro de comprimento, enquanto as espécies de hoje são geralmente muito menores
Além do tamanho impressionante, o Praearcturus gigas também surpreendeu pelo ambiente em que viveu. Os fósseis foram preservados em antigas formações de arenito associadas a rios e planícies de inundação, na região que hoje corresponde à Inglaterra e ao País de Gales. Por isso, os pesquisadores levantam a hipótese de que o animal fosse aquático ou anfíbio, capaz de transitar entre a água e a terra. Confira as principais informações desse gigante pré-histórico:
- Nome científico: Praearcturus gigas;
- Idade estimada: cerca de 415 milhões de anos;
- Comprimento: possivelmente superior a um metro;
- Pinças: podiam alcançar aproximadamente 16 centímetros;
- Habitat provável: ambientes fluviais, com possibilidade de vida aquática ou anfíbia;
- Localização dos fósseis: Inglaterra e País de Gales.
A existência de um predador desse porte é especialmente interessante porque ele viveu no início do período Devoniano, quando a vida terrestre ainda estava se estabelecendo. Naquela época, os ecossistemas eram bem diferentes dos atuais, com plantas pequenas, fungos e artrópodes primitivos, antes do surgimento de grandes florestas.
O tamanho desse escorpião pré-histórico levanta dúvidas sobre o que permitiu que alguns artrópodes atingissem dimensões tão impressionantes. Artrópodes gigantes costumam ser associados ao período Carbonífero, quando níveis elevados de oxigênio na atmosfera são apontados como um dos fatores que favoreceram o gigantismo. Como esse escorpião viveu dezenas de milhões de anos antes, a disponibilidade de presas e as condições do ambiente também podem ter contribuído para seu porte extraordinário.
Ainda não é possível reconstruir todos os detalhes de sua vida, já que os fósseis estão incompletos. Mesmo assim, a reanálise mostra que alguns dos animais mais surpreendentes da história da Terra podem estar escondidos bem na sua frente: nas coleções de museus.
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