Príncipe saudita vai construir arranha-céu espelhado de 500 metros de altura e 170 km de extensão no meio do deserto para abrigar 9 milhões de pessoas

Projeto The Line promete abrigar 9 milhões de pessoas, mas enfrenta atrasos, custos elevados e críticas por impactos ambientais e remoções de moradores

The Line
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

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A Arábia Saudita planeja construir uma cidade que parece saída de um filme de ficção científica. Batizado de The Line, o projeto prevê uma estrutura espelhada de 170 quilômetros de extensão e 500 metros de altura, capaz de abrigar até 9 milhões de pessoas no meio do deserto.

A iniciativa faz parte da NEOM, um megaprojeto de desenvolvimento urbano impulsionado pelo príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman. A proposta é criar uma cidade sem carros e ruas tradicionais, com serviços próximos das residências e sistemas de transporte de alta velocidade.

Projeto vai construir duas paredes espelhadas no meio do deserto

O projeto foi apresentado como uma cidade linear formada por duas fachadas espelhadas e paralelas. A estrutura teria cerca de 500 metros de altura, 200 metros de largura e 170 quilômetros de comprimento, atravessando uma região desértica do noroeste da Arábia Saudita.

A ideia do The Line é concentrar moradias, áreas de trabalho, comércio e serviços em uma única estrutura, aproveitando o espaço vertical para acomodar milhões de habitantes sem ocupar uma área urbana tão extensa quanto a de uma metrópole convencional.

The Line vai criar cidade sem carros e com serviços próximos

Um dos principais objetivos de The Line é eliminar a dependência de carros particulares: o planejamento prevê que os moradores consigam chegar a serviços essenciais em até cinco minutos de caminhada, reduzindo a necessidade de deslocamentos longos no dia a dia.

Para percorrer distâncias maiores, o projeto traz um sistema de transporte de alta velocidade. Segundo o plano original, seria possível atravessar toda a cidade em aproximadamente 20 minutos.

The Line 2 Reprodução/Time Out

A cidade também foi planejada para usar inteligência artificial na gestão de serviços e no funcionamento da infraestrutura. A tecnologia ajudaria a administrar recursos e a adaptar sistemas urbanos às necessidades dos moradores.

Energia renovável e impactos ambientais

O plano original prevê que The Line funcione com energia 100% renovável, alinhando o projeto às metas de diversificação econômica e redução da dependência do petróleo defendidas pelo governo saudita.

The Line At A Crossroads Revisiting Neoms Promise For A Utopian Blueprint 4 Imagem: Divulgação/NEOM

A ausência de carros e a concentração das construções também foram apresentadas como formas de diminuir a poluição e o uso do solo.  

A construção de uma estrutura com centenas de quilômetros de extensão exige grandes quantidades de materiais, transporte de equipamentos e intervenções no ambiente natural. 

As fachadas espelhadas também levantam preocupações sobre os efeitos para animais silvestres, especialmente aves.

Projeto tem custo bilionário nos bastidores

The Line integra a NEOM, iniciativa financiada e promovida pela Arábia Saudita como parte de uma estratégia para diversificar a economia e reduzir a dependência do petróleo. O projeto foi divulgado internacionalmente como um dos principais símbolos dessa transformação.

Os custos elevados e a complexidade da obra estão entre os principais obstáculos à realização do projeto original. A estrutura também exigiria soluções de engenharia para iluminação, ventilação, circulação e segurança em uma escala pouco comum.

The Line At A Crossroads Revisiting Neoms Promise For A Utopian Blueprint 2 Imagem: Divulgação/NEOM

Atrasos colocam o plano original em dúvida

Em maio de 2026, uma reportagem da Semafor informou que novas etapas de construção haviam sido adiadas para depois de 2030, enquanto o governo saudita revisava os investimentos no megaprojeto. A reportagem também apontou que ainda não havia uma previsão clara para a retomada das obras em sua escala original. 

A revisão ocorre em meio à pressão sobre os custos dos grandes projetos da Arábia Saudita. Em janeiro de 2026, a Euronews também noticiou uma redução significativa das ambições relacionadas ao NEOM, após anos de atrasos e custos elevados. 

Remoção de moradores e críticas aos direitos humanos

Além dos desafios financeiros e de engenharia, o empreendimento é alvo de críticas relacionadas aos direitos humanos. Organizações e reportagens internacionais apontam denúncias de remoções forçadas de moradores da região, incluindo integrantes da comunidade Howeitat. O tema levanta questionamentos sobre os impactos sociais da transformação de uma área habitada em um complexo urbano de grande escala.

Imagens: Divulgação/NEOM

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