Você sabia que o seu estilo de vida pode ser o fator determinante para a saúde do seu cérebro nas próximas décadas? Um novo estudo da Universidade de Lund, na Suécia, revelou dados surpreendentes: embora existam fatores genéticos, cerca de metade dos casos de demência no mundo podem estar ligados a seis fatores de risco que nós mesmos alimentamos no dia a dia.
A boa notícia é que esses hábitos são potencialmente mutáveis. Se você quer adiar ou até evitar sintomas de declínio cognitivo, entender e reconhecer quais são esses "culpados" é o primeiro passo para preservar a saúde intelectual com o passar dos anos.
Pesquisa levantou uma série de fatores atrelados ao estilo de vida
Durante o estudo, os pesquisadores identificaram 17 fatores de risco com grande influência na doença de Alzheimer e na demência vascular. São eles: colesterol alto, consumo baixo e alto de álcool, depressão, diabetes, doenças cardíacas, escolaridade, histórico de AVC, idade, imc, medicamentos para o coração, morar sozinho, presença do gene APOE ε4, pressão arterial, sexo, sono e tabagismo.
Os estudiosos concluiram que seis desses fatores possuem um papel determinante para o desenvolvimento da demência:
1. Baixo nível de escolaridade e falta de convívio social
O estímulo intelectual precoce e contínuo cria o que os cientistas chamam de "reserva cognitiva". Quanto mais você estuda e aprende ao longo da vida, mais conexões neuronais são formadas.
2. Diabetes
O açúcar elevado no sangue danifica os microvasos que irrigam o cérebro. A pesquisa sueca destaca que o controle da glicemia é fundamental, pois a diabetes acelera o envelhecimento vascular, um dos componentes principais da demência vascular.
3. Tabagismo
O cigarro não afeta apenas os pulmões. As substâncias tóxicas causam o estreitamento dos vasos sanguíneos, dificultando a chegada de nutrientes ao cérebro.
O estudo reforça que fumantes têm uma taxa de atrofia cerebral significativamente maior do que não fumantes.
4. Pressão Alta (Hipertensão)
A hipertensão não controlada força as artérias cerebrais, podendo causar micro-derrames que, muitas vezes, não são percebidos de imediato, mas que acumulam danos irreversíveis à massa branca do cérebro ao longo dos anos.
5. Hiperlipidemia (Gordura no sangue)
Níveis elevados de colesterol e triglicerídeos contribuem para a formação de placas nas artérias (aterosclerose). Quando o fluxo sanguíneo para o cérebro é comprometido pela gordura, os neurônios começam a morrer por falta de nutrientes, favorecendo o processo de declínio cognitivo.
6. IMC baixo
Ao contrário do que muitos pensam sobre a obesidade, o estudo da Universidade de Lund acendeu um alerta para o Índice de Massa Corporal (IMC) muito baixo, especialmente em idades mais avançadas.
A fragilidade física e a perda excessiva de massa muscular e gordura saudável podem indicar má nutrição ou desequilíbrios metabólicos que deixam o cérebro mais vulnerável.
Hábitos diários podem reverter fatores de risco
Os pesquisadores da Universidade de Lund defendem a prática de atividades capazes de funcionar como uma barreira contra a degeneração:
- prática regular de atividades físicas;
- higiene do sono;
- alimentação equilibrada;
- redução do consumo de álcool;
- abandono do tabagismo;
- maior interação social.
Segundo o estudo, essas medidas vão além de apenas reduzir o risco de demência: elas reprogramam o organismo para um envelhecimento com muito mais vitalidade e qualidade de vida.
Foto de capa: Foto: Vitaly Gariev/Unsplash
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