R$ 92 mil o modelo mais barato: empresa chinesa aposta em robôs humanoides de companhia

Máquinas podem conversar e lembrar a pessoa de tomar remédios, mas não realizam tarefas domésticas

Robô
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A empresa chinesa UBTech Robotics acaba de apresentar em Shenzhen seu primeiro robô pensado para uso em ambientes domésticos. Ele se chama U1, tem pele de silicone, cabelo real e uma “IA emocional” que, segundo a fabricante, lembra por meses as conversas que mantém com você.

São três variantes: Lite, Pro e Ultra, com preços que vão de R$ 92 mil a R$ 755 mil no modelo mais avançado. Está disponível nas versões masculina (183 cm) e feminina (168 cm), conta com 88 articulações e uma “inteligência artificial emocional” que roda localmente graças a um chip Rockchip RK3588, sem depender da nuvem para processar dados do usuário.

O U1 mantém contato visual, reconhece estados de humor a partir do tom de voz e da expressão facial e, segundo a fabricante, responde com uma latência de apenas 20 milissegundos. Na UBTech, ele é apresentado como um robô que constrói uma relação ao longo do tempo, não como algo com que você conversa de forma pontual. O robô se lembra e aprende com conversas anteriores, adaptando seu comportamento de acordo com o estado de humor detectado.

A solidão como negócio

A empresa ainda não fabricou uma única unidade, mas seus responsáveis afirmam já ter recebido mais de 13 mil reservas desses robôs. As entregas começarão em setembro, embora a produção em larga escala leve tempo. A UBTech já fechou um acordo com a Siemens para conseguir fabricar 10 mil unidades por ano.

Dados da empresa indicam que, só na China, há 90 milhões de adultos que vivem sozinhos e 118 milhões de idosos cujos filhos já não moram com eles. O robô pode lembrá-los de tomar medicamentos, detectar sinais de fadiga e estresse e oferecer companhia constante. Um executivo da UBTech destacou como esses robôs nunca “trairão nem abandonarão” seus donos.

Se o usuário pagar mais, a UBTech promete a capacidade de personalizar o rosto e o cabelo do robô para que ele se pareça com qualquer pessoa: um parceiro que morreu, um filho que saiu de casa ou até mesmo um personagem de ficção. É uma opção que levanta um importante debate ético e moral.

Esse debate, na China, parece já estar mais avançado: já há algum tempo existem empresas que criam deepfakes de entes queridos falecidos. É inevitável lembrar do episódio Black Mirror intitulado Be Right Back que justamente imaginava esse futuro que agora a UBTech promete.

Limites

O robô U1 tem restrições importantes. A bateria tem autonomia máxima de quatro horas e ele não realiza tarefas domésticas, como cozinhar ou limpar, porque não foi projetado para isso. Tampouco faz algo que muitos provavelmente se perguntarão: nada de relações íntimas. A empresa insiste que todos os dados das conversas com os robôs são criptografados e não são usados para treinar seus modelos de IA.

Esse lançamento volta a demonstrar a ambição da China de dominar o mercado de robôs domésticos. Segundo dados do Barclays, o país já concentrou, no ano passado, 85% de todas as integrações de robôs humanoides no mundo. Mais de 140 empresas chinesas já lançaram 330 modelos diferentes e a chegada desse tipo de robô aos lares parece inevitável.

O jornal South China Morning Post compartilhou um vídeo no qual os participantes do lançamento comentavam suas impressões sobre esses robôs. Embora tenham se mostrado impressionados com a pele sintética dos robôs, também destacaram que os tempos de resposta são muito longos e que as conversas carecem de naturalidade.

É uma versão bastante prematura de robôs que, sem dúvida, devem avançar de forma significativa no curto prazo. Hoje, há mais promessas do que realidades: em um ou dois anos, o cenário pode ser muito diferente. 

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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