O que são os cronotipos e como descobrir se você é uma pessoa diurna ou noturna antes de sofrer um abismo de exaustão extrema

Os cronotipos ajudam a explicar por que algumas pessoas acordam cheias de energia antes do amanhecer, enquanto outras só atingem seu melhor desempenho quando a noite chega

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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Você já deve ter ouvido por aí alguém se definindo como uma pessoa diurna ou noturna. Enquanto algumas pessoas já acordam cheias de energia nas primeiras horas da manhã, outras só parecem atingir seu auge quando o sol já foi embora. Embora isso possa parecer uma preferência pessoal, existe uma explicação biológica por trás desse comportamento. A ciência explica que essa predileção na verdade está ligada aos cronotipos, um mecanismo influenciado pelos ritmos circadianos e pela produção de melatonina, que determina quando estamos mais despertos, produtivos ou sonolentos ao longo do dia.

Seu relógio biológico tem uma programação própria e é ela define quando você funciona melhor

Se você rende mais às 6h da manhã ou às 22h da noite, provavelmente não é uma questão de hábito. Segundo especialistas, o cronotipo é a predisposição natural que cada pessoa tem para sentir picos de energia ou cansaço em determinados horários do dia. Acredita-se que ele funciona como uma espécie de programação interna sincronizada pelos ritmos circadianos, que nada mais são do que ciclos biológicos de aproximadamente 24 horas que regulam algumas funções do organismo, como o sono, temperatura corporal, apetite e atenção.

Grande parte desse processo depende da melatonina, um hormônio produzido pelo cérebro principalmente durante a noite. É ela que ajuda o corpo a entender quando é hora de descansar e quando é momento de permanecer alerta. É por isso que não dá para julgar aqueles que preferem acordar super tarde, já que nem todo mundo foi biologicamente "projetado" para acordar cedo. Os especialistas costumam dividir os cronotipos em três grupos principais:

  • Matutinos: sentem mais disposição nas primeiras horas do dia e costumam dormir mais cedo;
  • Vespertinos: apresentam melhor desempenho à tarde e à noite, com tendência a dormir e acordar mais tarde;
  • Intermediários: representam a maior parte da população e ficam entre os dois extremos.

Alguns pesquisadores também utilizam classificações mais populares inspiradas em animais, como leão, urso, lobo e golfinho, para ilustrar diferentes padrões de sono e vigília. No entanto, independente da classificação, o importante é entender que o cronotipo possui forte influência genética e não pode ser alterado facilmente apenas com força de vontade.

O jet lag social: o que é e o que ela provoca na rotina

O grande problema dos cronotipos é que eles não se adaptam automaticamente aos horários impostos pela rotina. Trabalho, escola, faculdade e outros compromissos costumam exigir horários fixos, que nem sempre coincidem com o momento em que nosso organismo está naturalmente preparado para estar acordado e produtivo. 

Quando existe esse desencontro entre o relógio biológico e as exigências do dia a dia, surge o jet lag social. Apesar do nome remeter às viagens internacionais e à mudança de fusos horários, ele pode acontecer sem que a pessoa saia de casa, bastando um conflito constante entre o cronotipo natural e a rotina diária. Os principais sinais do jet lag social incluem:

  • Sensação constante de cansaço;
  • Dificuldade para acordar;
  • Queda de produtividade;
  • Alterações de humor;
  • Problemas de concentração;
  • Sono irregular durante a semana.

É justamente por isso que muitas pessoas passam anos acreditando que são preguiçosas ou desorganizadas, quando na verdade estão tentando funcionar contra a própria biologia.

Descobrir seu cronotipo pode melhorar sono, produtividade e até qualidade de vida

Mas afinal, por que o cronotipo é tão importante? Entender qual é o seu cronotipo é importante para saber em quais horários o cérebro e o corpo funcionam melhor, podendo ajudar a organizar atividades do dia a dia de forma mais eficiente. Se uma pessoa sabe que seu pico de atenção ocorre pela manhã, por exemplo, pode reservar esse período para tarefas que exigem mais concentração. Já quem rende melhor à noite pode programar atividades criativas para horários mais tardios sempre que possível. Pesquisas também mostram que respeitar o cronotipo pode trazer benefícios para diferentes áreas da vida:

  • Melhor qualidade do sono;
  • Mais disposição durante o dia;
  • Maior produtividade;
  • Melhor desempenho cognitivo;
  • Menor sensação de exaustão;
  • Mais equilíbrio entre trabalho, estudos e descanso.

Os efeitos dos cronotipos no dia a dia do indivíduo já é um ponto para algumas empresas e instituições, que estudam maneiras de adaptar escalas e horários de trabalho aos perfis biológicos dos funcionários, reduzindo o risco de erros, acidentes e queda de rendimento.


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