As profundezas do oceano ainda são um dos ambientes menos explorados do mundo. Por essa razão, vez ou outra nos surpreendemos com descobertas fascinantes para a ciência. Foi o que aconteceu após novos registros da Stygiomedusa gigantea, uma água-viva gigante que pode ultrapassar um metro de diâmetro e exibir braços com mais de 10 metros de comprimento. A espécie, descrita pela primeira vez em 1910, é considerada uma das mais raras do mundo e aparece em poucos registros feitos por câmeras e veículos submersíveis.
Stygiomedusa gigantea: uma água-viva gigante que quase nunca é vista
A Stygiomedusa gigantea é um animal que não chama atenção apenas pelo tamanho: o que a torna realmente intrigante é sua raridade. Para se ter uma ideia, desde que entrou oficialmente para a ciência em 1910, a espécie foi vista oficialmente menos de 130 vezes em todo o mundo. Mesmo instituições especializadas em pesquisa oceânica tiveram poucos encontros com o animal.
Mas por que será que é tão difícil encontrar essa água-viva gigante? A explicação está no habitat da espécie. Ela vive em regiões entre 1.000 e 3.000 metros de profundidade, onde não bate luz, a pressão é extrema e a exploração depende de equipamentos caros e altamente especializados. Até recentemente, grande parte dessas áreas simplesmente não era observável. Veja um vídeo mostrando a espécie:
Braços de mais de 10 metros e uma estratégia incomum de caça
A campânula dessa água-viva gigante pode chegar a medir 1 metro de diâmetro. Créditos:Mbari
Sem dúvidas alguma, a característica que mais impressiona na Stygiomedusa gigantea é o seu corpo. Sua campânula, a parte principal do animal em forma de sino ou cúpula, pode ultrapassar um metro de diâmetro, colocando a espécie entre as maiores águas-vivas já documentadas. Além disso, outro ponto se destaca no animal, que são os quatro braços longos, planos e largos, que podem se estender por mais de 10 metros.
Diferentemente dos tentáculos finos e numerosos comuns em outras águas-vivas, esses braços lembram fitas gigantes. Devido a essa característica, ao invés de perseguir presas como as água-vivas comuns, a Stygiomedusa gigantea segue uma outra estratégia para caçar: quanto maior a área coberta, maior a chance de capturar plâncton e pequenos peixes em regiões onde alimento é escasso.
Além dessas características, um outro detalhe bem diferente chama atenção. Ao contrário do que se espera de águas-vivas, a Stygiomedusa gigantea não possui células urticantes nos tentáculos, estrutura cheia de veneno, geralmente disparado por estímulo mecânico ou químico, que causa dor, inflamação e queimaduras. É essa estrutura que provoca as dolorosas queimaduras na pele humana. Isso sugere que a espécie depende mais de seu tamanho e da forma dos braços do que de mecanismos químicos para se alimentar ou se defender.
Novos registros em águas menos profundas levantam dúvidas sobre o comportamento e o habitat da espécie
Embora seja associada ao fundo do oceano, a água-viva gigante também já foi registrada em profundidades muito menores, entre 80 e 280 metros, inclusive na Antártida, o que contradiz a ideia de que a espécie viveria exclusivamente nas zonas mais extremas do oceano. Esses registros sugerem que a Stygiomedusa gigantea pode circular por diferentes camadas em momentos específicos, possivelmente seguindo correntes, disponibilidade de alimento ou condições ambientais.
O aumento desses encontros não significa que a espécie esteja mais comum, mas que a tecnologia está avançando o suficiente para que seja possível avistá-la. Veículos submersíveis, câmeras de alta definição e até submersíveis tripulados usados em expedições turísticas científicas estão ampliando o alcance humano em áreas consideradas inacessíveis.
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