Fósseis encontrados na Espanha apontam que o dinossauro Diplodocus não existia só nos EUA

A presença de um Diplodocus na Europa é compatível com episódios de dispersão intercontinental

Diplodocus
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Durante décadas, todos os fósseis de Diplodocus que conhecíamos haviam sido descobertos no oeste dos EUA, onde é possível encontrar uma grande jazida fossilífera. As escavações por lá trouxeram muitas informações sobre esse dinossauro de pescoço caracteristicamente longo e uma cauda em forma de chicote. Mas, agora, a Espanha também tem um desses.

Um novo artigo publicado na revista Journal of Vertebrate Paleontology confirmou o primeiro registro do gênero Diplodocus fora da América do Norte, abrindo caminho para a pesquisa e a busca por espécimes que acreditávamos estar restritos a uma região geográfica específica.

Essa descoberta vem da jazida fossilífera de La Tejería, situada no município de El Castellar. Ali, os paleontólogos recuperaram um conjunto excepcionalmente bem preservado de restos caudais desse tipo de dinossauro, especificamente 14 vértebras da cauda e vários chevrons, que são os ossos em forma de "Y" situados na parte inferior das vértebras.

Agora sabemos que esse espécime habitou a Península Ibérica há aproximadamente 150 milhões de anos, durante o Jurássico Superior, uma época em que a geografia do nosso planeta era muito diferente da atual.

Os métodos

Descobrir a qual dinossauro especificamente pertenciam esses fósseis encontrados na Espanha não foi fácil. Os pesquisadores não se limitaram a buscar uma semelhança superficial, mas identificaram o material por meio de complexas comparações anatômicas e análises filogenéticas.

Esse foi o detalhe mais importante, já que os fósseis espanhóis apresentam uma combinação única de características anatômicas, com grandes cavidades pneumáticas nas vértebras, sulcos longitudinais profundos em sua face inferior, chevrons bífidos com fossas mediais e corpos vertebrais alongados sem cristas laterais.

Algo que deve ser destacado é que o que foi recuperado é principalmente parte da cauda, e não o esqueleto completo do dinossauro. Mas a realidade é que as proporções das vértebras permitem fazer cálculos para conhecer as dimensões que o dinossauro tinha quando vivia na Península Ibérica. Especificamente, estima-se que ele alcançasse cerca de 25 metros de comprimento.

Reescrevemos a história

Os cientistas já sabiam há algum tempo que a família dos diplodocídeos havia habitado outros continentes, já que formas aparentadas foram encontradas em Portugal, na Tanzânia, na América do Sul e até em outros pontos da Espanha. Mas, até esta descoberta, os registros confirmados do gênero Diplodocus eram exclusivamente da América do Norte.

Essa descoberta rompe o monopólio geográfico que estávamos observando e levanta questões sobre como os dinossauros se deslocavam pelo planeta. Os fósseis podem representar um marco importante no estudo da migração entre continentes.

A presença de um Diplodocus na Europa é compatível com episódios de dispersão intercontinental. Os paleontólogos sugerem que essa troca de habitat foi facilitada talvez por conexões terrestres temporárias ou por uma redução significativa da barreira marinha que separava as massas de terra naquela época, o que teria permitido que esses colossos expandissem seus domínios muito além do que os livros didáticos haviam nos ensinado.

Imagens | Atlantic Ambience (Pexels)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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