Fóssil de 295 milhões de anos encontrado na China aponta que as flores podem ter surgido antes dos dinossauros

As flores podem ser cerca de 150 milhões de anos mais antigas do que a ciência imaginava

Permocarpelloides shuozhouensis
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator

Victor Bianchin é jornalista.

2384 publicaciones de Victor Bianchin

Hoje em dia, as plantas com flores e frutos (as angiospermas) são o grupo dominante do reino vegetal, mas a ciência não sabe com certeza quando surgiram as primeiras. O consenso geral aponta para o Cretáceo, há cerca de 130 ou 145 milhões de anos, embora outras estimativas situem sua origem muito antes. Agora, um novo fóssil encontrado na China propõe uma idade muito mais antiga: 295 milhões de anos, ou seja, do início do Permiano.

Uma equipe de pesquisadores do Instituto de Geologia e Paleontologia de Nanjing, da Academia Chinesa de Ciências, descreveu um novo gênero e espécie, Permocarpelloides shuozhouensis, encontrado na mina de Antaibao, em Shuozhou, na província de Shanxi. O fóssil preserva três estruturas minúsculas (entre 4,2 e 4,8 mm) dispostas paralelamente, cada uma delas com pequenas bolinhas em seu interior que, segundo a equipe, são óvulos ou sementes em diferentes estágios de desenvolvimento. A formação geológica onde o fóssil foi encontrado possui (segundo o método de urânio-chumbo de alta precisão) entre 295 e 298,9 milhões de anos.

Se a interpretação dessa equipe se sustentar, isso significaria que as flores seriam cerca de 150 milhões de anos mais antigas do que a ciência imaginava.

Tão importante quanto a antiguidade do fóssil é a maneira como essas sementes e óvulos estão dispostos: encerrados dentro da estrutura externa, justamente a característica típica das angiospermas desde que o botânico Paul Hermann cunhou o termo há mais de três séculos (e que, de fato, é a origem etimológica de seu nome), e o que as diferencia das gimnospermas, que deixam suas sementes expostas (um exemplo: os pinheiros).

É importante deixar algo claro: esse fóssil chinês não é o primeiro com o qual essa mesma equipe questiona a origem cretácea das angiospermas. Já houve três candidatas anteriores: Taiyuanostachya, Yuzhoua e Dengfengfructus, todas possíveis angiospermas dessa mesma época. A novidade aqui é que, diferentemente das anteriores, os três carpelos do novo fóssil estão organizados de uma maneira que lembra a organização estrutural das flores atuais, como as Magnoliales.

Encontrar possíveis flores anteriores ao Cretáceo é algo que vem sendo polêmico há décadas por uma razão: os fósseis estão incompletos, o que abre espaço para interpretações diversas. A equipe de pesquisa admite, de fato, que, mesmo que Permocarpelloides acabe sendo classificada como uma gimnosperma extinta com uma morfologia incomum, ainda seria uma descoberta evolutivamente relevante por demonstrar que o hábito de encerrar as sementes já estava sendo experimentado no reino vegetal muito antes do Cretáceo.

Imagem: Springer Nature

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


Inicio